Por Chico Sant’Anna

O recadastramento eleitoral biométrico, além de viabilizar a identificação do eleitor a partir de suas digitais, desenhou um novo mapa de distribuição dos votos no Distrito Federal.

Os dados do TRE-DF apontam que foi pequeno o crescimento de eleitores entre 2010 e 2014. A cidade passou a contar com mais  63.736 eleitores, apenas 3,48% sobre o contingente das últimas eleições.

Em 2010, eram 1.833.942 cidadãos apto a votar e neste ano o universo eleitoral subirá para 1.897.678. Em compensação houve uma reviravolta nos colégios eleitorais. Foi registrada uma grande mobilidade nos locais de votação (e moradia) dos inscritos. O Plano Piloto (Asas Norte e Sul) perdeu mais de um quarto de sua importância eleitoral. Águas Claras, Taguatinga e Vicente Pires registraram um forte avanço e se igualam a Ceilândia e passam a ser o terceiro colégio eleitoral do DF.

Segundo Marc Arnoldi, do blog Política do DF em números, no novo mapa das zonas eleitorais, quem mais perdeu eleitores, proporcionalmente, foi o Plano Piloto. A redução foi de 27,92%, o que significa 60.293 mil votos a menos. Para os candidatos que possuem a classe média como público alvo prioritário, isso implica na necessidade de repensar geograficamente a estratégia de campanha.

Se de um lado, o Plano Piloto foi o que teve a maior redução de colégio eleitoral, Samambaia e Recantos das Emas, juntas, tiveram o maior crescimento: 27,77%, que traduzidos em números indicam a existência de 47.233 novos eleitores.

Ceilândia continua sendo a maior concentração de eleitores do Distrito Federal. Praticamente, quinze, em cada cem eleitores (14,94), moram lá. Mas a cidade também vem perdendo espaço. Neste ano serão 283.506 títulos eleitorais cobiçados pelos candidatos, contra 309.712, em 2010. Uma queda de 8,46 %, equivalentes a 26.206  votos a menos.

O segundo maior colégio eleitoral do Distrito Federal é o que reúne Taguatinga, Águas Claras e Vicente Pires. Este triangulo representa hoje 14,92% do universo eleitoral local, tendo crescido, em relação às últimas eleições, 15,43%. Grande parte dos 37,850 novos eleitores são provenientes do Plano Piloto.

Tabela eleitores DF 2014Esse fenômeno, fruto da expansão imobiliária, também foi registrado nas zonais do Lago Sul, São Sebastião e Jardim Botânico – passaram de 81.671 para 103.215 títulos eleitorais (+26,38%) – na que reúne o Park Way, Núcleo Bandeirante, Candangolândia e Riacho Fundo – de 85.186 para 101.341 (+18,96%) – e na que agrega Paranoá, Lago Norte e Itapoã –  de 78.485 para 94.202 (+20,03%).  Cada um desses três grupos de cidades responde por uma parcela de, em média, 5% do eleitorado local (Vide tabela acima).

Segundo Arnoldi, o retrato decorrente do recadastramento biométrico complica a estimativa de quociente eleitoral este ano. “Historicamente, a taxa de votos inválidos (abstenção, votos nulos e brancos) no DF varia entre 13 e 15 %. É possível que, com a “limpeza” do cadastro, o comparecimento seja maior em outubro próximo. Por isto, os Quociente Eleitorais não serão inferiores a 181.869 para Federal (175.760 em 2010) e 61.467 para Distrital (59.402 em 2010)”- diz ele.

Resta saber também se a nova distribuição geográfica dos eleitores representará na aparição de novos critérios de escolhas dos candidatos. O novo endereço altera o modo de escolher, principalmente deputados distritais e governador, que estão mais afeitos às questões locais? O novo morador de Águas Claras, por exemplo, que antes morava no Plano Piloto, terá critérios diferentes na hora de votar? As urnas e os cientistas políticos responderão.

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