Torcedores Copa Equador e Suiça
Para se transformar num verdadeiro polo turístico, Brasília precisa de políticas públicas mais efetivas. Foto: Chico Sant’Anna

Texto, foto e entrevista por Chico Sant’Anna

A presença de torcedores estrangeiros em Brasília, que vieram assistir aos jogos do mundial de futebol, mostrou a muita gente a importância do turismo, principalmente o internacional, como base de um desenvolvimento sustentável de Brasília. O turista injeta recursos novos na economia, gera empregos, move o comércio, o setor de serviços, em especial hotéis, restaurantes e transporte.

Leia também:

Entretanto, quem teve a oportunidade de conversar com colombianos e equatorianos, que se fizeram em maior volume em Brasília, pode constatar que a vida deles na Capital federal não foi fácil.  Além de preços muitos caros, viram-se um tanto o quanto perdidos sem uma estrutura receptiva eficiente – por mais que o governo do Distrito Federal tenha se esforçado em fazê-lo.

O primeiro obstáculo começa no idioma e, se comunicar-se em espanhol foi difícil aos nossos vizinhos, imagine o que enfrentaram suíços, africanos e franceses  por aqui. Este contingente de pessoas também está acostumado a usufruir de serviços que Brasília está longe de fornecer seja em termos de qualidade, seja em quantidade.

Tive a oportunidade de presenciar em um dos principais shopping da cidade a dificuldade de um camaronês em pedir um simples café expresso e uma água mineral. Precisei socorrê-lo. Em outra oportunidade, um turista parisiense, que fora ver Brasil e Camarões, em plena estação rodoviária de Brasília, não sabia como chegar de ônibus ao Gama, onde se hospedara para fugir dos elevados custos hoteleiros do Plano Piloto.

No metrô não havia nenhum aviso em outro idioma, fosse aviso sonoro ou visual. As pessoas que embarcavam ao longo da linha em direção ao Plano Piloto ficavam tentando descobrir em qual das paradas do Plano Piloto deveriam descer para locomover-sem até ao Mané Garrincha. Nem mesmo na chegada à estação Central na rodoviária havia avisos em outro idioma sobre ser ali o ponto de descida e de conexão aos ônibus que as levariam ao estádio.

Turistas estrangeiros estão acostumados com transportes integrados, bilhete único. E por aqui nem os brasilienses gozam desse sistema. Além disso, são consumidores de cultura. Dedicam-se a visitar museus, ir a teatro. E isso é bom para a cidade, pois o turista permanece mais tempo visitando-a e gastando. Aqui, na Copa, muitos chegaram num dia e foram embora no outro.

Para fazer com que o turismo cresça e que o turista permaneça mais tempo na Capital federal, faltam mais políticas públicas de turismo. O aeroporto de Brasília precisa se transformar num efetivo portão internacional, mais e melhores museus precisam ser edificados, o brasiliense precisa ser qualificado para tratar o turista e, preferencialmente, no idioma dele. Assim, a cidade ganhará uma opção de desenvolvimento, geração de rendas e empregos sustentáveis, sem gerar grandes impactos ambientais.

Turismo e Cultura como base de desenvolvimento sustentável do Distrito Federal é o tema da vídeo entrevista com o professor de História e de Turismo, Anderson Batista de Melo. A entrevista está em dois blocos. Confira.

 

Turismo e Cultura como base de desenvolvimento sustentável do Distrito Federal – Parte 1

Turismo e Cultura como base de desenvolvimento sustentável do Distrito Federal – Parte 2

Acompanhe também outras cinco entrevistas que tratam dos problemas e das soluções para Brasília. As entrevistas são sobre o PPCUB, com a arquiteta Vera Ramos, diretora de Patrimônio do Instituto Histórico e Geográfico do DF, a entrevista sobre a Expansão Urbana no Distrito Federal, com o urbanista Frederico Flósculo,  a entrevista Mobilidade Urbana e as soluções para Brasília, com o professor da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília, Paulo César Marques da Silva, a entrevista Saúde Pública: o diagnóstico e as soluções para Brasília, com o presidente da Associação Médica de Brasília, Luciano Carvalho, e também, Desenvolvimento econômico de Brasília: soluções para o desemprego no DF, com o professor de Economia da Universidade de Brasília, Roberto Piscitelli.

 

Anúncios