Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Por circunstância alheia ao caso,

Na manhã seguinte estive na arena.

Por instantes, julguei ouvir alaridos,

Apenas roucos mexericos do vento.

 

Era o lixo um protótipo de tapete,

Refluxo de uma apoteose inconclusa,

Vestígios caóticos de melancolia,

Uma penúria patriótica alastrada.

 

Bandeiras, bandeirolas, badulaques…

Toda uma sorte de itens arrebatados,

Como se houvera da alegria uma receita.

 

Fiz, lá, minha convicta e solitária prece,

Para que possamos, adiante, contritos,

Sublimar nódoas de dor, suor e lágrimas.

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