Por Luiz Martins da Silva

Sobre Gaza hão de nascer rosas,

Sanguíneas alegorias da Pátria,

Hoje, ceifadas, tão caule

Da alegria dos pais,

Patéticas mãos para o Céu.

 

Sobre Gaza hão de nascer pães,

Fermento de gerações,

Pólens de sorrir mães.

Um dia sem dores:

Flores, beleza e perdão.

 

Gaza ainda será verbo,

Este, de se conjugar paz,

Mesmo memória de cinzas,

Artilharia de escombros,

Êxtase de malvados.

 

Não germinará nenhuma honra

De um panteão de tormentos.

Quem irá saudar heróis

Campeões olímpicos no abate

De inocentes, civis e crianças?

 

Pássaros, hoje, afugentados,

Saberão reconstruir ninhos.

Dos ímpios tenho dúvida

Se hão de ungir louros

Nas sendas do enxofre.

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