Poema de Fim de Semana: O mar e a seca

Incêndio Parque Córrego da Onça 4-9-2011 (2)Por Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Em sendo o oceano um aceiro

De suor seco em vidraça,

O delírio se faz saga

De um azul-cobalto fugaz.

 

Céu, prumo de marinheiro,

Lágrimas de pó e sal,

Viver longe de uma praia,

Diminutivo de dunas.

 

Crimes de ar e incenso,

Queima de fogos malsã.

Crematório de crepúsculo,

Câmara de seres ardentes.

 

Velas a palo seco

De brumas imaginárias.

Cerrado, saara remoto,

Vagas de ilusória névoa.

 

Distante aldeia tórrida,

De casario em torpor.

O oceano é quase ali

Na orla de um lago só.

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Arte e Cultura em Brasília, Cerrado, Clima, Cultura, Literatura, Meio ambiente e marcado . Guardar link permanente.

Uma resposta para Poema de Fim de Semana: O mar e a seca

  1. Nailda Rocha disse:

    Mestre. “O oceano é logo ali
    Na orla de um lago só”.
    Tornou mais leve o domingo seco.
    Mais que um poema. Convite a um passeio na orla do lago norte. Função poética.
    Movimentar o corpo e a mente iluminada por ele…

    Curtir

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