decoração natalPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

 

Cães que nunca ladraram,

galos que jamais cantaram,

pinguins que não conheceram o gelo.

 

Guardam, no entanto, mediúnicos afetos

dos antigos lares

e dos ternos laços,

saudosas lembranças.

 

Permanecem, agora, ali, mudos,

em meio a tanta confusão,

deslocados, perplexos,

mas ainda imantados.

 

É só tocá-los

e sentir-lhes

os antigos mimos

e o novo desejo de,

outra vez,

serem adotados, pois,

só assim viverão, e serão

novamente amados,

Essa é a sua forma de reviver.

 

É dos olhares encantados que retiram a sua vida

de ectoplasmas. Mas também podem,

se o quisermos, contar antigos segredos

de antigos donos.

 

Nesse ponto, são

Justificadamente infiéis.

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