Poema dançasPor Ana Rossi

na dança daquela noite, olho o que restou

sigo no compasso, signo da derradeira nota

e, colando ao que restou, levanto o pé e vou

para o meu lugar, espaço em que sou-não-sou

 

na dança daqueles anos, vejo o que ficou, o que

restou, na derradeira dança, na derradeira noite

da derradeira que fui, daquela que não sou mais,

daquela de quem ainda me lembro, porque sempre

 

na dança daquele salão, ouço os passos que ressoam,

são poucas as pessoas, mas que barulhão ! são gritos,

são “eu”, “eu”, “eu”, e mais “eu” que escoam pelas

 

peles dos que já se foram, e a única-única solução é

levantar os pés, sacudir a poeira, sem tremor, sem

ardor, e deixar apenas o ruído estancar por si só

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