Blog do Edgar Lisboa entrevista Chico Sant’Anna, candidato a distrital

Entrevista a Edgar Lisboa

A edição de 7/9 do Blog do Jornalista Edgar Lisboa, da Agência Texto Final de Notícias, traz a reportagem “Chico Santana defende a preservação de Brasília e critica a política de tudo pode”, uma entrevista especial comigo, falando de meus planos e propostas para a preservação de Brasília, enquanto candidato a deputado distrital.

Convido aos amigos a lerem a entrevista, a trazer aqui no espaçodecomentários suas avaliações e compartilhem com seus amigos.

Por Edgar Lisboa, Agência Texto Final de Notícias

O jornalista Chico Sant’Anna, candidato a deputado Distrital (PSol-DF), de família pioneira em Brasília, alerta que “devemos separar Brasília da Esplanada dos Ministérios onde podemos colocar os escândalos do mensalão, Passadena – Petrobrás, sanguessugas, ambulâncias. Mas se olharmos com atenção vemos que alguns personagens estão em ambos os lados desses escândalos.”
O ex-presidente do sindicato dos Jornalistas do DF chama atenção para o fato de que Brasília é uma cidade nova e moderna, mas, sua política é velha e ultrapassada. “Talvez porque os que são efetivamente de Brasília não tenham tido a oportunidade de exercer uma nova política. Não existe política sem ideologias. E “desideologização” já é uma postura ideológica de quem a defende”.
Como pioneiro e filho de pioneiro, Chico Santana defende a preservação de Brasília. Veja a íntegra da entrevista.

Quando começou seu desejo para atuar na política?

Me criei em Brasília, cheguei aqui ainda bebê de colo em 1958 e nunca entendia porque Brasília não tinha autonomia política, se o antigo Distrito Federal, o do Rio de Janeiro, sempre contou com uma prefeitura e uma câmara municipal eleita. Assim, desde jovem, busquei participar e contribuir na luta pela autonomia política que veio na década de 1980, com a Constituinte.
É nesta época que ingresso no movimento sindical dos Jornalistas, em 1983, fui eleito tesoureiro do Sindicato dos Jornalistas de Brasília, depois, em 1986, vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj. Em 1992, fui eleito presidente do Sindicato dos Jornalistas do DF, depois, vice-presidente da Federação Latino-americana de Jornalistas, e em seguida, vice da Federação Internacional de Jornalistas, com sede em Bruxelas.

Esta trajetória sindical foi um caminho para envolver-me ainda mais nas lutas políticas: Diretas Já, Constituinte, Impeachment de Collor, Campanha da Ética na Política, liderada por Betinho, Democratização da Comunicação, e tantas outras lutas.
Candidatura a um mandato político, a primeira experiência foi em 2010, quando fui lançado candidato ao Senado Federal, pelo Psol. Propúnhamos, redução do mandato de senador, fim dos suplentes, eleição em dois turnos para o Senado e voto revogatório, uma espécie de procon para maus políticos. Estas ideias atraíram cerca de 17 mil brasilienses. Esse desempenho nos encorajou a disputar um mandato a deputado distrital, que é o que fazemos agora.

Hoje se fala muito em desideologização da política. Qual sua visão a esse respeito?

Não existe política sem ideologias. E “desideologização” já é uma postura ideológica de quem a defende. Creio que deva ser exatamente o contrário: precisamos ter partidos com ideologias mais claras, para que o eleitor saiba exatamente o que pensa aquele partido, aquele candidato.
Hoje temos uma realidade que tudo pode: o partido de Arruda, que é oposição ao PT de Agnelo, está na base nacional da Dilma. O partido de Campanella, PPL, está na base de Marina, que é do Rodrigo Rollemberg, mas aqui no DF Campanella é oposição ao Rodrigo. A coligação de Rodrigo tem Rosso e Celina Leão, que possuem DNA do rorizismo. Paulo Octávio, que foi vice de Arruda, apoia Agnelo. Então, este “vale tudo” cuja ideologia mor é o “se dar bem” é nocivo ao eleitor e à sociedade, que deseja mudanças, mas não vê por onde isso pode acontecer. Repare que das cinco coligações que disputam o GDF, em quatro delas existem discípulos de Roriz. Só a do Psol não foi contaminada.

A globalização, o modelo liberal passou a ter maior espaço principalmente nos países desenvolvidos. Como você vê hoje essa questão no Brasil?

Estamos vendo um pé mais forte da globalização em Brasília no campo imobiliário. O governo Agnelo contratou, sem licitação, uma empresa de Cingapura, a Jurong, para projetar cinco espaços urbanos no Distrito Federal. Sem qualquer debate com a população do DF estes projetos estão sendo feitos, atendendo ao interesse especulativo internacional, de empresas multinacionais. Por princípio, as cidades globais ou globalizadas possuem elevada concentração populacional, forte urbanização. É o caso da tal cidade financeira, que o GDF de Agnelo quer fazer na região do Núcleo Rural do Tororó, onde há o nosso cinturão verde, de produção de hortifrutigranjeiros que abastecem Brasília, e onde estão as últimas fontes de água potável ainda não exploradas no DF.
Para a Jurong e os atores globais, isso são detalhes desprezíveis. Pelo conceito científico de cidade global, o que deve prevalecer é o interesse do sistema econômico global. O conceito vem dos estudos urbanos e prevê a existência de uma grande população, ser sedes de grandes companhias, como conglomerados e multinacionais; economia forte, dinâmica e diversificada. Para simplificar, uma metrópole como São Paulo.

E esta não é a proposta de concepção de Brasília. Lúcio Costa e Juscelino não pensaram Brasília como metrópole hiperpopulosa, pelo contrário, Lúcio Costa dizia que não interessava a Brasília ser grande metrópole. Maria Elisa, filha dele, também urbanista, questiona: “qual seria o interesse, para a capital de um país, de ser grande metrópole? Não há nenhuma vantagem em investir nessa direção”.

Projetos megalomaníacos desta natureza só atendem a interesses financeiros de poucas pessoas e grupos. Eles deixam uma série de efeitos colaterais para a sociedade. Depois, a Jurong e seus investidores, escolhem em outro canto do mundo, outro lugar para uma nova cidade global e deixam a deformação urbana instalada em nosso Planalto Central.

Brasília tem ocupado nos últimos anos robusto espaço também nas páginas policiais. Tivemos ai um governador preso, Pandora, Mensalão, inúmeras prisões, Passadena-Petrobrás. Acha que isso tem gerado um distanciamento maior da população da política ou dos políticos? Como pretende enfrentar essa realidade?Como buscar novamente a confiança do cidadão no político?

Temos que separar o que é Brasília e o que é Esplanada dos Ministérios.
Na Esplanada podemos colocar os escândalos do mensalão, Passadena – Petrobrás, sanguessugas, ambulâncias etc. Na cota de Brasília, temos a Pandora, Mensalão do DEM, Panettones e muitos outros. Mas se olharmos direito, veremos que alguns personagens estão em ambos os lados desses escândalos.
Mais recentemente, assistimos os avanços nos espaços urbanos do Distrito Federal e até do Plano Piloto, tombado pela UNESCO. Águas Claras pulou de oito para trinta andares, o Guará, de seis, para dez; Samambaia, Ceilândia e Gama, também tiveram seus gabaritos alterados e ganham seus espigões.

Além da indústria da especulação imobiliária, quem ganha com isso? Políticos no GDF? Na CLDF? Certo é que a população é que está perdendo, pois as vias públicas ficaram engarrafadas, a mobilidade urbana tende a ficar anulada, a coleta do lixo e o tratamento do esgoto projetados para uma cidade menor, começam a se acumular, a energia elétrica e a telefonia falham constantemente.
A Câmara Distrital, a quem cabe definir as regras urbanas de Brasília, fica a mercê dos interesses do GDF. É incapaz de se posicionar contra os desejos do Buriti. E muita gente fica rico da noite para o dia, e até fazem festas para comemorar o primeiro bilhão.

É bom lembrarmos, que o escândalo do Mensalão do DEM está intimamente ligado à votação do PDOT – Plano Diretor de Organização Territorial no governo Arruda.

Quais os problemas de Brasília que terão prioridade no seu trabalho? Como pretende resolver?

Como pioneiro e filho de pioneiro, desejo defender a preservação de Brasília. Não apenas defesa de um projeto arquitetônico, mas de um modelo de vida, imaginado por Lúcio Costa, Burle Max, Oscar Niemeyer, JK, Ernesto Silva e tantos outros.
Isso significa recuperar o modelo de educação integral pensado por Anísio Teixeira, com as escolas classe, escolas parque funcionando. Significa retomar a assistência médica de qualidade que, a meu ver, passa pela reimplantação do Saúde em Casa. Único programa já testado e que resultou na redução da pressão sobre os hospitais.
Temos que implantar um modelo moderno de mobilidade urbana, que passe pela ampliação do metrô. Três linhas estão planejadas desde a década de 90 e nem a primeira foi concluída.

O VLT precisa ser implantado no Plano Piloto e em áreas concentradas, como Taguatinga, e pelo menos duas linhas de trens regionais precisam ser introduzidas. A primeira, de Luziânia à Rodoferroviária, aproveitando a linha da privatizada RFFSA, e a segunda de Águas Lindas a Formosa, beneficiando Lago Norte Grande Colorado, Sobradinho e Planaltina.
Assim, nossas vias ficarão desobstruídas, não será mais necessário falar em garajão da Esplanada dos Ministérios e duplicações de vias e construções de pontes sobre o Lago.
Desta forma, minha candidatura se pauta pela ética na Política e por uma Brasília mais humana, solidária e confortável.

Apesar de vivermos na Capital do país às vezes a gente tem um sentimento que vivemos a política do coronelismo. Uns anunciam a distribuição de lotes; outros distribuem verbas para isso ou aquilo, realização de obras etc.

Brasília é uma cidade nova e moderna, mas sua política é velha e ultrapassada. Talvez porque os que são efetivamente de Brasília não tenham tido a oportunidade de exercer uma nova política.
Sempre fomos governados por governantes importados. Seja no período militar, seja na democracia. Se olharmos a Câmara Distrital, poucos, ou nenhum, aqui nasceu ou merece receber o tratamento de candango.
Aos 56 anos, quase 57, é este sentimento, de quem aqui cresceu desde as fraldas que me motiva a tentar a carreia política. Alguém que abrace os sentimentos que motivaram e inspiraram a criação de Brasília. Temos muitos aventureiros posando como representantes dos interesses da população.
É por isso, que defendo, inclusive, mais mecanismos de democracia direta. Algo que vá além do orçamento participativo. Que a população decida onde, quanto e como deseja investir seus impostos. No Estádio de Futebol, ou no metrô ou hospital? Que decida se áreas rurais, como a do Tororó, devem virar centros urbanos. É a população que vive e que paga seus impostos. É ela que deve decidir e não os despachantes luxuosos do poder econômico.

Corporativismo as eleições. Muitos candidatos, em Brasília, tiveram sucesso por pertencer a segmentos tipo sindicalista, religioso, empresarial, segurança pública. Este parece ser o maior de todos. Temos deputados delegados, policiais militares, bombeiros, enfim, um sem número de policiais no legislativo. Com isso, eventualmente, o governador se obriga a mudar o comandante da PM, por exemplo, pela pressão dos policiais ou PMS parlamentares. Isso não acaba criando um sentimento de insegurança. não é muita política em áreas de extrema sensibilidade para o contribuinte?

Em primeiro lugar, creio que as denominações profissionais, funcionais, religiosas deveriam ser proibidas no processo político eleitoral. Nada de professor fulano, doutor sicrano, pastor isso ou sargento aquilo.
Gosto muito do modelo eleitoral uruguaio. Lá, seis meses antes das eleições, os cidadãos, filiados a partidos ou não, são chamados a uma eleição prévia, onde eles votam em pessoas. As mais votadas formarão uma lista, uma chapa, de cada coligação. São estas listas que serão submetidas no semestre seguinte a novo processo eleitoral. E aí já não se votará mais em pessoas, mas sim em partidos ou coligações e suas propostas de governo. Não há propaganda eleitoral personalizada. Cada agremiação vem a público com suas ideias. Acaba-se com os salvadores da pátria que tudo prometem. E se os partidos estiverem coligados, eles ficam invisíveis, prevalecendo apenas a coligação que terá que permanecer unida até o final do mandato.

Do jeito que a gente está no Brasil, você vota em João e elege Maria. Aqui em Brasília, na coligação de Agnelo tem uma deputada petista que defende o fim do homofobismo, defende o casamento entre pessoas no mesmo gênero, que é contra a redução da maioridade penal, temas que estão na ordem do dia. A mesma coligação possui outro candidato, um pastor, que prega exatamente o contrário. Então, se este modelo perdurar, como saber em que ideias estaremos votando?
Acredita que esse modelo continua tendo espaço na eleição deste ano?

Gostaria que mudasse. Há inclusive um movimento, um plebiscito popular, do qual o Psol participa, para a convocação de uma Constituinte, exclusivamente para executar uma reforma política. Mas as garantias de que os eleitos nessa constituinte exclusiva façam as mudanças necessárias não são seguras, pois tudo o que a população deseja contraria o interesse das classes políticas.
Pessoalmente, creio que seria mais eficaz um plebiscito onde a população votaria sim ou não, sobre temas como: financiamento público de campanha, revogação de mandatos, fim de coligações, tempo igual de rádio e tv para os partidos, fim das reeleições, fim dos suplentes, aprimoramento da Lei da Ficha Limpa, para que sua aplicação seja mais fácil e imediata; implantação de mecanismos de democracia direta, dentre outros

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Ética na Política, Brasília - DF, Câmara Distrital, Corrupção, Deu na imprensa, Eleições, Eleições em Brasília, GDF, Meio ambiente, Política & Partidos, Propostas para o Mandato Parlamentar, Psol. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Blog do Edgar Lisboa entrevista Chico Sant’Anna, candidato a distrital

  1. Chico, gostei. Temas visíveis e pertinentes, posições claras e coerentes. Pode agregar outros, mas sem perder o fio da meada eleitoral: o tema central que lhe dá visibilidade popular .Vejo também um candidato mais amadurecido para a defesa do interesse público, e não especificamente de classes. Concordo com você na questão das ideologias, mas, de fato, elas e os partidos que as expressam envelheceram, fragmentaram-se de tal forma que perderam a originalidade. Elas alimentam a nostalgia, e não me excluo. Estão presentes na sociedade, não como uma fragmentação ingênua do socialismo e do comunismo, mas como uma espécie de “nova esquerda” ,humanizante, distributivista e socialmente justa, trilhando caminhos novos, visões muito mais amplas sobre o homem e sobre a relação do Estado com a sociedade. Entretanto está excessivamente pulverizada, o que leva muitas vezes a contradições inesejáveis.
    Abraços, e estamos torcendo por você.

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