Por do SolPor Luiz Martins da Silva. Foto de Reynaldo Barbosa Lima

Olhando, assim, de relance

Para um mundo mais humano,

Ouço um passarinho insistente,

À borda de uma varanda:

“Não sei dia, mês e ano.”

 

Olhando, assim, para a vida,

No topo de uma montanha,

Ouço um peixe bem aquífero,

Desde o seu manto azulado:

“Não sei o que é uma lágrima.”

 

Olhando, assim, para a noite,

De mar e céu estrelado,

Dos confins de alto a baixo,

Ouço um astro coruscando:

“Pouco me diz o meu fardo.”

 

Olhando assim para o tempo

E todas as suas pinturas,

Penso no acaso do vento,

Sem trambelho ou compostura:

“Sou a moldura do nada.”

 

Olhando assim para um copo,

Ainda cheio de água,

Sou filho, sou pai, sou corpo,

Este, agora, enrodilhado:

“Logo passa a tempestade.”

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