Poema de Fim de Semana: Circo sem pão

Por Luiz Martins da Silva

O circo chegou!

Não, não veio.

Foi zonzeira minha,

Cochilo interior.

 

Carreiro de artistas

Singrando sertões,

Poeiras sonolentas,

Lonas e mastros à vista.

 

Não, não se veem mais,

Maiôs, trapézios, piruetas,

Estardalhaços de anões,

Picardias figuradas, imorais.

 

Quero meu circo de volta,

Esses que andam à solta,

Não tem a menor graça,

São imposturas, promessas…

 

Vivo a reviver peregrinos

Picadeiros imaginários,

Legendas de grandes fantasmas

Dublando Vicente Celestino.

 

Palhaços! Palhaços em duplas

Eram Mandioca e Massaranduba.

Hoje, na TV, são pantomimas

De ventríloquos fanfarrões.

 

Lá, em algum álbum de Deus,

Estampas de personagens,

Esquetes baratos, fuleiras…

Arquibancadas de tábuas.

 

Quero, sim, quero de novo,

Meu circo evaporado,

Cirquinho bobo do povo,

Que se sabia enganar.

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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Uma resposta para Poema de Fim de Semana: Circo sem pão

  1. Nailda Rocha disse:

    Bom dia mestre! O circo. Cadê minha infância? Quantas piruetas… Saudades… Delicia de poema. Vou acordar minha criança dormente em algum “álbum de Deus”.
    Apropriada homenagem.
    Parabéns!

    Curtir

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