Por Luiz Martins da Silva

O circo chegou!

Não, não veio.

Foi zonzeira minha,

Cochilo interior.

 

Carreiro de artistas

Singrando sertões,

Poeiras sonolentas,

Lonas e mastros à vista.

 

Não, não se veem mais,

Maiôs, trapézios, piruetas,

Estardalhaços de anões,

Picardias figuradas, imorais.

 

Quero meu circo de volta,

Esses que andam à solta,

Não tem a menor graça,

São imposturas, promessas…

 

Vivo a reviver peregrinos

Picadeiros imaginários,

Legendas de grandes fantasmas

Dublando Vicente Celestino.

 

Palhaços! Palhaços em duplas

Eram Mandioca e Massaranduba.

Hoje, na TV, são pantomimas

De ventríloquos fanfarrões.

 

Lá, em algum álbum de Deus,

Estampas de personagens,

Esquetes baratos, fuleiras…

Arquibancadas de tábuas.

 

Quero, sim, quero de novo,

Meu circo evaporado,

Cirquinho bobo do povo,

Que se sabia enganar.

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