Barquinho de papelPor Luiz Martins da Silva

Neste quadro de teu rosto,

Já não consigo recriar

Velhas composições infantis.

 

O barco desprendeu-se da corrente,

Rio abaixo,

O sol se pôs.

 

Ficaram para sempre as montanhas,

Vida afora,

Inapagáveis obstáculos.

 

No centro da paisagem,

Ainda verde, vive uma flor.

Lilás é a cor da verdade.

 

Por estas veias mais abertas

Carrega-se para dentro do peito

Uma derradeira paixão.

 

Nota bene: este poema foi publicado originalmente no livro Comigo foi assim (1979).
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