engarrafamentos em BrasíliaEm duas décadas, a frota brasiliense de veículos deve superar a casa dos 7,176 milhões de carros e motos.

Mentalize a imagem: 95,2 milhões de veículos circulando pelas ruas do Brasil. Duas vezes e meia a frota atual que já engarrafa as principais cidades do país.

Brasília possuía em agosto de 2014, 1.539.645 veículos emplacados no Distrito Federal, sem considerar os que circulam com placas de outros Estados. Nos últimos treze anos, o DF apresentou um crescimento médio de sua frota da ordem de 8%, ao ano. Mantida esta performance em dez anos, a frota candanga pulará para 3,324 milhões de veículos e, em duas décadas, para 7,176 milhões. É possível que seja até superior, pois a Anfavea prevê um crescimento continuo da taxa de comercialização de carros e motos.

Este caos urbano é o que projeta sorridentemente a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), para daqui a 20 anos. Nas contas do setor, 7,4 milhões de automóveis e motocicletas deverão ser licenciados somente ao longo de 2034. Cidades como Brasília, com alto poder aquisitivo e péssimo serviço de transporte público, tendem a ser as mais visadas pela cobiça comercial das montadoras de veículos.

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Cidades como Brasília, com alto poder aquisitivo e péssimo serviço de transporte público, tendem a ser as mais visadas pela cobiça comercial das montadoras de veículos. Foto de Chico Sant’Anna

Esse retrato, que deixa o setor automobilístico rindo até as orelhas, significa que a frota circulante nacional crescerá 140%, sobre o volume de veículos existentes em 2013,  39,7 milhões. Enquanto segmentos amplos da sociedade brasileira peedem sistemas de transporte coletivo público de qualidade e em quantidade para atender as necessidades da população, Luiz Moan, presidente da entidade que reúne trinta montadoras de automóveis, caminhões e tratores, projeta um crescimento médio de 3,7% ao ano na venda de veículos zero Km nas próximas duas décadas.

É inimaginável o impacto ambiental que este volume de veículos irá causar no meioambiente, em especial quando tratamos de poluição sonora e do ar.

Considerando que as estimativas da Anfavea de que a população no Brasil em 2034 será de 226 milhões de habitantes, os empresários apostam na  evolução da taxa de motorização no Brasil sairá dos atuais 5,1 habitantes por veículo para 2,4 pessoas por carro daqui a 20 anos. Ou seja, cada vez mais teremos menos pessoas por veículo. Se hoje já é normal ver carros trafegando com apenas uma pessoa dentro, esta realidade tende a ser ainda maior nas próximas décadas, contrariando as tendências de países desenvolvidos que potencializam o transporte coletivo.

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Em se materializando tal perspectiva, todas as inciativas rodoviaristas dos governos municipais, estaduais e federal tendem a cair no vazio. Pouco adiatará criar novas faixas de rolamentos, novos viadutos e pontes, novos tuneis, pois o volume de veículos circulando nas médias e grandes cidades crescerá muito mais rápido do que a capacidade de execução do Poder Público.

Os novos e velhos governantes que assumem em 2015 tem a imperiosa missão de mudar o referencial rodoviarista do transporte público e se concentrar nas soluções de transporte sobre trilhos, com o risco de nossas cidades literalmente pararem em poucos anos.

 

 

 

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