Por Luiz Martins da Silva. Ilustração de Lesma

 

Houve uma vez um homem,

Advogado das desimportâncias,

Por isso mesmo gloriosas,

No seu viver da antivaidade,

Viver a vida de barriga no chão.

 

Este homem, agora, entregou-se,

Sem nenhuma resistência,

À consistência de seu cogito:

Ser íntegro entre os normais.

Só o homem resiste ao normal.

 

O animal se foi, restou o homem.

Ficou o nome, resíduo de devaneio,

Do companheiro de jornada

Dos que são a própria jornada,

Enquanto filosofia de lesma.

 

Vai Manoel ser de vez barro

E ribanceira, herança de remansos.

Vez por outra vêm à margem

Suster-se de rabugens e esterco.

És, agora, a própria síntese elaborada.

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