Por Luiz Martins da Silva

Nos tempos do vinil,

Todo hoje era um novo dia

De um novo tempo,

Pois o Brasil era para todos

O futuro de nossos sonhos

Cultivado em ninhadas.

 

O Brasil era um pouco Butão,

Um coreto era Schubert,

Ave Maria, hora do Angelus.

E nós, puros e contritos,

Em nosso município,

Como num crepúsculo de  Millet.

 

Ainda não existia você,

Mas, já desenhada,

A ave, pousada

Sobre um de meus ombros

Sussurrando num refrão:

“Love me. Please! Love me”.

 

“I can’t stop loving you”.

Aquilo era um mantra.

De mãos dadas, as moças,

Ornamentando o footing,

Arriscando flerts,

Dourando esperanças.

 

Hoje, nosso amor além das contas

E três operações [sem diminuir],

Renasce a cada manhã.

Talvez, uma única anciã

Ainda saiba das contas de um rosário,

Do que dizer aos bisnetos.

 

Começo a dar crédito a antigas lendas

Dessas que se contam para as crianças.

Lobos maus realmente existem

E, de fato, metem medo.

Por que fazem tudo ao contrário

Do que estava no enredo?

 

Como é fácil saber o que é bom

Para o Brasil e para os nossos filhos.

Eles desdenham de nossos conselhos,

A caminho de um de reveillon.

Grandalhões fazem 15 anos,

Dois mil anos depois.

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