Parati-vista domarPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Há um Brasil profundo,

Outrora Macondo,

Pátrias de Lampião,

Frei Damião,

Antônios, conselheiros.

 

Há, ainda, um Brasil de feiras,

Colégios de poucas freiras,

Outrora, catres de virtudes,

Renúncias e, por vezes,

Escândalos.

 

Saudosos escândalos amorosos,

Alcovas de raras conivências.

Hoje, as indecências têm outras sombras:

A cobiça de tesouros nada ocultos,

O dinheiro público nas privadas.

 

Latrina é uma palavra extra-latina,

De um passado de outros nojos,

Vergonhas obsoletas.

O Brasil dos shoppings centers,

Por fora, belas violas.

 

Saudosos vilões de vilarejos.

Os malfazejos andam de bravatas.

Aqui, acolá, de uniformes, gravatas…

Mandatos piratas,

Habeas corpus.

 

Mas, chega de saudosismo,

Até mesmo dos ismos,

As ideologias se foram,

Sobraram os budas,

E, algumas, bem vistosas.

 

Mas, não há de ser nada.

O não ter passou a ser do bem.

Quando menos, os que não têm

São posse de poses legítimas,

No amparo da lei e do fisco.

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