Poema de fim de semana: Brasil, Brasis

Parati-vista domarPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Há um Brasil profundo,

Outrora Macondo,

Pátrias de Lampião,

Frei Damião,

Antônios, conselheiros.

 

Há, ainda, um Brasil de feiras,

Colégios de poucas freiras,

Outrora, catres de virtudes,

Renúncias e, por vezes,

Escândalos.

 

Saudosos escândalos amorosos,

Alcovas de raras conivências.

Hoje, as indecências têm outras sombras:

A cobiça de tesouros nada ocultos,

O dinheiro público nas privadas.

 

Latrina é uma palavra extra-latina,

De um passado de outros nojos,

Vergonhas obsoletas.

O Brasil dos shoppings centers,

Por fora, belas violas.

 

Saudosos vilões de vilarejos.

Os malfazejos andam de bravatas.

Aqui, acolá, de uniformes, gravatas…

Mandatos piratas,

Habeas corpus.

 

Mas, chega de saudosismo,

Até mesmo dos ismos,

As ideologias se foram,

Sobraram os budas,

E, algumas, bem vistosas.

 

Mas, não há de ser nada.

O não ter passou a ser do bem.

Quando menos, os que não têm

São posse de poses legítimas,

No amparo da lei e do fisco.

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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