mapa do dfPor Chico Sant’Anna

O Distrito Federal tem um novo mapa geopolítico. Decreto do governador Rodrigo Rollemberg, de 2/1, nomeou sete super administradores regionais para dirigir as 31 regiões administrativas até então existentes.

O novo governador já havia dito que reduziria a quantidade de administrações regionais, mas não é certo que este formato venha ser o formato definitivo. Outra novidade: a mudança de denominação da área até hoje chamada de Brasília. Ela volta a se chamar Plano Piloto.

Pelo decreto, quem sai bastante fortalecido e alvo de uma demonstração clara de confiança é o vice-governador, Renato Santana, do PSD de Rogério Rosso. Santana, que no passado administrou a Ceilândia, vai assumir interinamente o comando de mais da metade da população do Distrito Federal. Foi designado a administrar Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e Brazlândia.

As Sete Superadministrações Regionais do DF
1) Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e Brazlândia – Administrador interino, Vice-Governador, Renato Santana da Silva.
2) Plano Piloto (antiga Brasília) – Administrador Igor Danin Tokarski. Interino para Cruzeiro, Candangolândia e Sudoeste.
3) Lago Sul – Administrador Wandermilson de Jesus Garcêz. Interino para Lago Norte, Varjão e Park Way.
4) SIA – Administrador José Edberto da Silva. Interino para Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Guará, Águas Claras e Vicente Pires.
5) Sobradinho – Administrador Estevão Souza dos Reis. Interino para Sobradinho II, Fercal e Planaltina.
6) Paranoá- Administrador Eduardo Rodrigues da Silva. Interino para São Sebastião, Jardim Botânico e Itapoã.
7) Recanto das Emas – Administrador Nery Moreira da Silva. Interino para Riacho Fundo II, Gama e Santa Maria.

Na nova equipe de administradores regionais de Rollemberg reaparecem antigos nomes da equipe de Agnelo Queiroz. É o caso de Wandermilson de Jesus Garcêz. Wander, como é politicamente conhecido, foi administrador do Lago Sul no governo passado, tendo deixado o cargo para concorrer a uma vaga de distrital pelo Partido Verde-PV,coligado a chapa de Agnelo/Filippelli.

Wander foi nomeado para administrar novamente o Lago Sul e, de quebra, responderá interinamente pelo Lago Norte, Varjão e Park Way. A região sob a tutela dele deve possuir a maior renda per capita da Capital e os IPTUs mais caros. Trata-se de uma extensa faixa de terra, que começa com as quadras iniciais do Park Way, nas imediações de Águas Claras e do Guará, passando pelo Catetinho, próximo ao Gama, até às imediações da Torre Digital, no lado Norte da Cidade. Quem ambicionava voltar a administrar o Lago Sul, era Natanry Osório que ocupou o cargo entre 2003 e 2006.

O PV, por sinal, vem reafirmando sua tradicional capacidade de sobrevivência política. Pertenceu ao último governo Roriz, continuou no de Arruda e permaneceu no de Agnelo, a quem apoiou no primeiro turno das eleições, e agora reaparece com Rollemberg. Nos bastidores, informa-se que a indicação para que Wander voltasse ao Lago Sul teria partido da família Sarney, que tem no deputado Sarney Filho, um braço no Partido Verde.

Plano Piloto

Caberá a Igor Danin Tokarski, candidato a deputado federal pelo PSB, com 7.161 votos, a missão de proteger o Plano Piloto de Brasília, a área tombada como patrimônio histórico pela Unesco.

O simbólico nesta decisão é a retomada da denominação, Plano Piloto e não mais Brasília. A idéia é defendida por especialistas, como Aldo Paviani, da Universidade de Brasília.

Para mais detalhes, leia:

Quanto ao administrador, para algumas lideranças comunitárias, esta é uma tarefa para a qual ele não teria experiência em executar.
Em 2014, esta área esteve no centro das disputas do chamado PPCUB, projeto de lei do GDF que a pretexto de proteger o Plano Piloto de Lúcio Costa, na prática flexibilizava várias regras para atender os interesses da especulação imobiliária.

Interinamente, Tokarski responderá também pelo comando da Candangolândia, Cruzeiro e Sudoeste. Pela proximidade geográfica ao Plano Piloto, é bem possível que Cruzeiro, Octogonal, Noroeste e Sudoeste acabem ficando sob a responsabilidade do administrador do Plano Piloto, como já o foi em antigos governos.

Macro regiões

A idéia de se reduzir as administrações regionais não encontra, em tese, opositores. Poucas ARs, me parece bom. Penso que o Cruzeiro, Octogonal e o Sudoeste podem estar unificados – afirma Fernando De Castro Lopes, líder comunitário do Sudoeste. Pensamento semelhante tem Heliete Ribeiro Bastos, líder comunitária da Asa Sul. Talvez o correto seja mesmo a redução de algumas administrações regionais, assim como o enxugamento da estrutura dessas administrações. É muita gente para pouca produção.

Mas a forma como a junção das regiões administrativas foi efetivada, além de surpreendente, ainda não foi bem compreendida pela maioria das lideranças ouvidas por este blog. Proximidade Geográfica, perfil sócio-econômico, processo histórico…, os critérios usados ainda são pouco conhecidos e levantam estranheza junto a urbanistas e lideranças comunitárias e, principalmente, muitas especulações.

Vista aérea de Ceilândia Sul, com Taguatinga Norte ao fundo.

A submissão de Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e Brazlândia, por exemplo, a um mesmo comando, pode até parecer correto tendo em vista à proximidade geográfica e, quem sabe, a uma similitude de perfil socioeconômico. Entretanto, o gigantismo destas quatro satélites, que reúnem cerca da metade da população do Distrito Federal, implica na existência de uma mega estrutura para que ela seja gerida. Algo semelhante a um mini GDF. Isso poria por terra a proposta de reduzir administrações para diminuir gastos. O resultado pode ser o inverso.

O arquiteto Cristiano Nascimento, integrante do movimento Urbanistas por Brasília, chama a atenção de que os sete grupos de administrações regionais criados pelo GDF são os mesmos das Unidades de Planejamento Territorial do PDOT. Considero bom sinal. Sinal de que há uma integração das pastas e das decisões que estão sendo tomadas -afirmou.

Já a presidente da Associação dos Moradores do Park Way, Gilma Ferreira, acredita que o que norteou o GDF foram as bacias hidrográficas. Esta seria a explicação para terem sido unificados numa mesma administração bairros tão distantes e tão diferentes entre si, como o Varjão e o Park Way. Para ela, a questão ambiental para o DF e, em especial, para o lago Paranoá, deve ter pesado muito mais.

O brasiliense tem que conhecer a importância de cada região para o Distrito Federal. Nessas áreas (Varjão, Lagos Norte, Sule Park Way) se encontram as nascentes que abastecem o lago. O lago é artificial e é abastecido pelas nascentes do Park Way. Outras áreas do DF já perderam suas nascentes, vítimas da ação especulação imobiliária. Veja São Paulo: várias nascentes foram destruídas e o resultado é o que ai está: falta d’água. Também estamos falando de uma zona de amortecimento de calor que assola o Plano Piloto.  – justifica. 

A visão não é consensual, nem mesmo no Park Way. A agregação de estruturas administrativas pode ser racional, mas pode ser muito nociva. Misturar Varjão com Lago Sul e Park Way é estupidez ou má intenção. O Varjão tem um perfil sócio econômico e uma estrutura espacial muito específicos. As demandas sociais de lá devem ser brutais e bem diferentes das do Lago Sul e do Park Way – afirma Carlos Cristo, urbanista e liderança comunitária do Park Way.

Para a moradora da Vila Planalto e integrante do coletivo Nós que Amamos Brasília, Leiliane Rebouças, defende um critério histórico. Se a administração do Plano Piloto recebeu de volta o Sudoeste, Octogonal e Cruzeiro, então Lago Sul, Lago Norte, Park Way, Telebrasília, Vila Planalto, Saturnino de Brito, e Granja do Torto devem também estar nela inserida. Estão todos numa mesma região!

O blog Brasília por Chico Sant’Anna buscou junto aos principais assessores de Rollemberg mais detalhes e explicações dos critérios que levaram a tomada dessa decisão. Pouca informação foi repassada. O certo, segundo o chefe do Gabinete Civil, Hélio Doyle, é que a divisão em sete regiões, ora anunciada, não é definitiva.  Mesmo assim, tem quem tenha gostado

Pessoalmente, eu não acharia nada mal que houvesse essas sete “Super RAs”, com pequenos núcleos avançados em cada cidade. Talvez, reduzisse o tamanho da máquina do GDF e desse mais agilidade e lógica às decisões. Talvez, isso sinalize que realmente haverá eleições para administradores – complementa Cristiano Nascimento.

Acho que esse momento nos leva, quem sabe, a propor ao governador um debate ou seminário com as lideranças da sociedade civil, para clarear esse assunto à luz de documentos, não de achismos – finaliza Heliete Ribeiro Bastos.

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