Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui o Canário-da-Terra

Canário da Terra Lenimar Alcantara Caldas 2

Canário-da-Terra, macho, captado por Lenimar Alcântara Caldas, no Parque da Cidade, em 27.11.2014

Texto de Chico Sant’Anna, com base na WikiAves, a Enciclopédia das aves do Brasil. Fotos de  Carla Barata Ribeiro, Lenimar Alcântara Caldas, Margi Moss, Rogério de Castro e Chico Sant’Anna. Agradecimentos aos grupos Observaves e Observadores de Aves 

Nos anos 60, na primeira década de Brasília, era comum ver pela cidade canários-da-terra e pintassilgos. O colorido da plumagem dessas aves atraia a todos. Nas residências da Nova Capital, era comum uma prática hoje considerada ambientalmente incorreta:  gaiolas feitas de madeira abrigando os pássaros de bela cor e bonito canto. Muitas delas, acopladas a alçapões para atrair novas aves ao cativeiro

Canario com a femea2close

Casal de canários-da-Terra, registrado por Chico Sant’Anna, no Park Way, em 31.01.2015.

Passadas muitas décadas e muitas arapucas, ficou raro ver um canário-da-terra ao ar livre. Outro dia, me surpreendi comum casal ciscando em meu quintal sob uma mangueira. O inusitado me estimulou a trazer este artigo ao blog e com a ajuda dos Observadores de Aves que me facilitaram belíssimas fotos, trago aqui este artigo.

O canário-da-terra-verdadeiro ou canário-da-terra, Sicalis flaveola L., também é conhecido no Brasil como canário-da-horta, canário-da-telha, canário-do-campo, canário-chapinha, canário-do-chão, coroinha e cabeça-de-fogo.

Seu nome científico, Sicalis flaveola L., significa: do (grego) sikalis, sukallis or sukalis = pequeno; (Latim) flaveola, flaveolus diminutivo de flavus = amarelo; ⇒ Amarelinho.

É uma espécie de ave da família Emberizidae. O canário-da-terra é a referência para a seleção brasileira de futebol. A “seleção canarinho” ganhou esta denominação em 1954, quando após um concurso nacional, o gaúcho Aldyr Garcia Schlee criou o uniforme verde-amarelo, utilizado na estréia da Copa do Mundo da Suíça. Durante esta competição, o radialista brasileiro Geraldo José de Almeida cunhou a expressão.

Canário da Terra Carla Barata Ribeiro 4-c

Canário-da-terra,macho, captado por Carla Barata Ribeiro.

Apesar do apelido “Seleção Canarinho”, o Canário-da-Terra não é exclusivo do Brasil, ele é originário da América do Sul, encontrado na nas Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina.

Sub-espécies

Existem cinco subespécies reconhecidas, sendo duas brasileiras: Sicalis flaveola brasiliensisSicalis flaveola pelzelni.

A primeira é comum no Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo. Machos com o alto da cabeça alaranjado brilhante, ultrapassando a região da órbita: Dorso oliva, com poucas estrias. Ventre amarelo brilhante. Asa marrom escura, com a borda externa das penas amarela. Cauda marrom escura, com as bordas das penas amarelas. Fêmeas e jovens com finas estrias na cabeça e no dorso, o crisso é amarelado. Um distinto colar amarelo estriado no peito, dividindo a garganta e o ventre, que são esbranquiçados. As fêmeas mais velhas tendem a ter o peito e o ventre mais amarelados, podendo lembrar a plumagem de machos.

Canario da terra Rogériode Castro

Canário-da-Terra, na objetiva de Rogério de Castro. Registro feito na Praça dos Cristais, no Setor Militar Urbano.

Os exemplares machos do Nordeste (em especial do PI, CE, RN, PB e PE) são de um amarelo mais forte e brilhante, com coroa vermelho-alaranjada e maior, dorso com poucas e finas estrias e levemente esverdeado (ao invés de oliva). As fêmeas, além de serem também amarelas, possuem igualmente a mancha vermelho-alaranjada no alto da cabeça, embora menor que nos machos. Alguns estudiosos preferem tratar tal forma como uma subespécie distinta.

Sicalis flaveola pelzelni, também conhecida popularmente por Canário-chapinha, é vista na Bolívia, ao leste dos Andes, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul.

Os machos possuem a cabeça com estrias escuras, e a cor alaranjada não ultrapassa a região orbital. O dorso é mais densamente estriados que S. f. brasiliensis. Ventre com coloração amarela em geral mais apagada, principalmente no pescoço. Asas e cauda semelhantes à forma anterior, mas com muito menos amarelo nas coberteiras das asas. Fêmeas com as estrias da cabeça e do dorso mais largas que na forma anterior. Região peitoral densamente estriada, podendo formar um colar. Poucas estrias na região ventral, e o crisso segue a mesma cor do ventre (esbranquiçado).

O canário-da-terra é comum a todo o país. Além dos Estados acima, no Brasil, podemos encontrá-lo no Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Goiás e, claro, no Distrito Federal. Também são encontrados nas nas ilhas do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro. Eles vivem em campos secos, áreas de agricultura, caatinga, bordas de matas, áreas de cerrado, campos naturais, pastagens abandonadas, plantações e jardins gramados.

Estado de Conservação
(IUCN 3.1)

Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante

Quando não estão no período de acasalamento costumam ficar em bandos, podendo chegar até a grupos com dezenas de indivíduos.

Canário-da-terra-verdadeiroSicalis flaveolaSaffron Finch

Casal de canários-da-terra, na objetivo da Margi Moss. O macho traz a peugem na coloração amarelo ouro e a fêmea acinzentada.

O tamanho aproximado do canário-da-terra macho, adulto, é de 13,5 cm, apresentando uma cor amarelo-olivácea com estrias enegrecidas nas costas e próximo das pernas. Peso médio: 20 gramas.

As asas e a cauda são cinza-oliva, as pernas são rosadas e o bico tem a parte superior cor de chifre e a inferior é amarelada. As fêmeas e os filhotes tem a parte superior do corpo na cor olivácea, com as penas acinzentadas. Com aproximadamente 4 a 6 meses de idade, os filhotes machos começam a cantar e levam cerca de 18 meses para adquirir a plumagem amarela características dos machos adultos.

Os filhotes de canário-da-terra são de cor cinzenta, independente do sexo, e com cerca de 9 meses de idade os machos começam a adquirir a cor dos adultos, que é predominante amarela, principalmente na cabeça com tons avermelhados, já as fêmeas não mudam muito, ficam com um tom cinzento amarelado.

Com 4 a 6 meses de idade, os filhotes machos já estão cantando, e levam cerca de 18 meses para adquirir a plumagem de adulto. O macho tem um canto de madrugada bem extenso e áspero, diferente do canto diurno. O canto de côrte é melodioso e baixo, acompanhado de um display parecido com uma dança em volta da fêmea.

Ouça aqui o canto do Canário-da-Terra, na gravação de Aves do Brasil

Os machos podem brigar entre si por fêmeas – que normalmente atiçam as brigas – até a fuga de um dos canários (muitos brigam até a morte, de onde advêm as rinhas com estas aves, muitas vezes em viveiros bem organizados, mas que por algum descuido, ocorrem naturalmente estas rinhas, geralmente ficando as duas aves praticamente sem penas na cabeça, quando há tempo de salvá-las.

Reprodução:

Com cerca de 1 ano de idade os canários-da-terra já estão prontos para o acasalamento, sendo que a fêmea faz posturas que varia entre 4 e 6 ovos, e cada Canário- fêmea pode chegar a chocar 4 vezes por ano, podendo tirar até 20 filhotes por temporada. Os filhotes de canário-da-terra nascem com, aproximadamente, 13 a 15 dias de choco.

O canário-da-terra faz ninho, na natureza, em cavidades. Os ninhos são cobertos, parecendo com uma cesta. Frequentemente, usam desde crânios de boi até bambus perfurados ou porongos (cabaças) pendurados com entrada adequada ao seu tamanho.

Canário da Terra Lenimar Alcantara Caldas 3

Os ninhos são cobertos, parecendo com uma cesta, podendo usar desde crânios de boi até bambus perfurados, ou então utilizando-se de ninhos abandonados de outros pássaros como o joão-de-barro, como nesse registro de Lenimar Alcântara Caldas.

Pode fazer ninhos em forma de cesta em plantas epífitas (orquídeas e bromélias).

Também usam ninhos abandonados por outros pássaros como o joão-de-barro. Há referências a ninhos colocados no telhado das casas. São muito agressivos na defesa do ninho, chegando a atacar aves maiores que dele se aproximem.

Por ser um pássaro nativo do Brasil, é necessária uma licença do IBAMA para a criação em cativeiro.Em cativeiro, muitas vezes reproduzem-se em gaiolas de 70x40x30 cm, com uma caixa para ninho com 15 cm de lado e que tenha um furo para entrada. Normalmente, podem ser utilizados sacos de estopa cortados e desfiados para que a fêmea confeccione o ninho.

Canario com a femea 4 close

Alimenta-se de sementes no chão.Ocasionalmente se alimenta de insetos. Foto de Chico Sant’Anna, Pak Way, 31.1.2015

Alimentação

Alimenta-se de sementes no chão. É uma espécie predominantemente granívora (come sementes). O formato do bico é eficiente em esmagar e seccionar as sementes, sendo portanto, considerada predadora e não dispersora de sementes.

Ocasionalmente alimenta-se de insetos. Costuma frequentar comedouros com sementes e quirera de milho. Nunca é visto comendo pão ou restos de comida como um pardal.

Gostou da leitura?

Abaixo, 43 outras aves comuns à Capital Federal. Clique no enlace e confira. 

 

 

Anúncios

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Argentina, Bolívia, Brasília - DF, Brasil, Cerrado, Colômbia, Equador, Fauna & Flora, Meio ambiente, Paraguai, Peru, Uruguai e marcado , , . Guardar link permanente.

12 respostas para Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui o Canário-da-Terra

  1. Pingback: Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui o Saí-azul | Brasília, por Chico Sant'Anna

  2. Pingback: Livro retrata os beija-flores do Centro-Oeste | Brasília, por Chico Sant'Anna

  3. Pingback: Park Way ganha área de soltura de animais silvestres | Brasília, por Chico Sant'Anna

  4. Pingback: Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui o Pica-pau-anão-escamado | Brasília, por Chico Sant'Anna

  5. Pingback: Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui a Corruíra do Campo | Brasília, por Chico Sant'Anna

  6. Pingback: Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui o João-de-pau | Brasília, por Chico Sant'Anna

  7. Pingback: Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui o Sabiá-laranjeira | Brasília, por Chico Sant'Anna

  8. Pingback: 110 mil visitas de 118 países. Esses os números de 2015 do Brasília, por Chico Sant’Anna | Brasília, por Chico Sant'Anna

  9. Pingback: Park Way: um novo santuário para animais silvestres | Brasília, por Chico Sant'Anna

  10. Pingback: Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui a Ariramba-Preta | Brasília, por Chico Sant'Anna

  11. Pingback: Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui a Maria-faceira | Brasília, por Chico Sant'Anna

  12. Pingback: Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui o Meia-Lua-do Cerrado | Brasília, por Chico Sant'Anna

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s