Bloco de sujos -Orlando BritoPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Orlando Brito

 

Agora, sim, chegou a vez do bloco dos sujos.

E pela fresta de um esquálido vitrô

Um interno se alui na ponta dos pés,

A tirar proveito de uma nesga de esplendor.

 

Inveja a sorte daqueles alucinados:

Desfilar sem trela o que bem vier à telha,

Sem vergonha de se revirar no exagero,

Cada um na posse do seu pequeno diabo.

 

Ali, onde se acha por prudência e laudo,

Sequer um tambor, um clarim qualquer

Sinais, de fato, do burlesco que se é.

 

Lá fora, sim, o direito de se dar ao luxo,

De se ser o outro em máscara e estrupício,

Sem ser enjaulado por conta de um delírio.

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