Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui o Saí-azul

Saí azul Rogerio de Castro

Sai-azul, macho, fotografado por Rogério de Castro, em junho de 2014, no Parque Ecológico de Águas Claras.

Texto de Chico Sant’Anna, com base na WikiAves, a Enciclopédia das aves do Brasil. Fotos de Carla Barata Ribeiro, João Rios, Leda Meneguzzo, Rodrigo D’Alessandro e Rogério de Castro. Agradecimentos aos grupos Observaves e Observadores de Aves 

 

 

O saí-azul é uma ave passeriforme da família Thraupidae. Também é conhecido como saí-bico-fino, saíra-de-bico-fino e saí-bicudo. O seu nome científico significa: do (grego) daknis = tipo de ave do Egito, mencionado por Hesíquio e pelo gramático Pompeu Festo; do (latim) cayana, cayanensis, cayanus = referente a Caiena na Guiana Francêsa. ⇒ Ave de Caiena.

O pássaro mede, aproximadamente, 13 centímetros de comprimento e pesa, em média, 16 gramas.

Saira Azul Carla Ribeiro (28)

Saíra Azul, fotografada por Carla Barata Ribeiro, no Parque Olhos d’Água, em 2014

Plumagem

A ave apresenta acentuado dimorfismo sexual: o macho é azul e negro, com as pernas vermelho-claras, enquanto a fêmea é verde, com a cabeça azulada e pernas alaranjadas. As fêmeas e os jovens são verdes, sendo que apenas as fêmeas possuem cabeça e coberteiras superiores das asas azuladas, garganta cinzenta e pernas alaranjadas.

O saí-azul possui uma plumagem leucística. O leucismo (do grego λευκοσ, leucos,   branco)

Foto de Leda Meneguzzo.

Foto de Leda Meneguzzo.

é uma particularidade genética devida a um gene recessivo, que confere a cor branca a animais geralmente escuros. O leucismo é diferente do albinismo : os animais leucíticos não são mais sensíveis ao sol do que qualquer outro. Pelo contrário, são mesmo ligeiramente mais resistentes, dado que a cor branca possui um albedo elevado, protegendo mais do calor.

Seu canto é um gorjear fraco.

Ouça aqui o canto do Sai-azul, na gravação de Aves do Brasil

Saira Azul Carla Ribeiro (18)

Saíra Azul, fotografada por Carla Barata Ribeiro, no Parque Olhos d’Água, em 2014

Existem oito subespécies, sendo que duas delas ocorrem no Brasil:

  • Dacnis cayana cayana (Linnaeus, 1766) – ocorre do Leste da Colômbia até a Venezuela, Guianas, Norte e Centro do Brasil; e na Ilha de Trinidad;
  • Dacnis cayana paraguayensis (Chubb, 1910 ) – ocorre do Leste do Paraguai até o Leste e Sul do Brasil e no Nordeste da Argentina.

Estado de Conservação
(IUCN 3.1)

Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante

sai-azul-femea Rodrigo D'Alessandro

Sai-azul, fêmea, fotografado por Rodrigo D’Alessandro

A espécie vive à beira da mata em várias altitudes, copas de mata alta. No Brasil, ele se faz presente em todas regiões do Brasil. É encontrado também de Honduras ao Panamá e em quase todos os países da América do Sul, com exceção do Chile e Uruguai. As demais subespécies registradas são:

  • Dacnis cayana ultramarina (Lawrence, 1864) – ocorre da costa Caribenha do Nordeste de Honduras até o Nordeste da Colômbia
  • Dacnis cayana callaina (Bangs, 1905) – ocorre no Oeste da Costa Rica e no Oeste do Panamá na região de Chiriquí;
  • Dacnis cayana napaea (Bangs, 1898) – ocorre na região tropical do Norte da Colômbia;
  • Dacnis cayana baudoana (Meyer de Schauensee, 1946) – ocorre na região tropical do Sudoeste da Colômbia das Montanhas Baudó até o Oeste Equador;
  • Dacnis cayana caerebicolor (P. L. Sclater, 1851) – ocorre na região Central da Colômbia nos vales de Cauca e Magdalena;
  • Dacnis cayana glaucogularis (Berlepsch & Stolzmann, 1896) – ocorre no Sul da Colômbia até o Leste do Equador, Leste do Peru e Oeste da Bolívia.
Saíra azul fêmea

Sai-azul, fêmea, fotografado por João Rios, no Parque Olhos d’Água

Alimentação e reprodução

Alimenta-se de néctar e frutas. Costuma frequentar comedouros de frutas. Aprecia os frutos da tapiá ou iricuruna (Alchornea glandulosa), e a Michelia champaca (Magnólia-amarela). Aprecia também os insetos, pequenos artrópodes, como grilos, lagartas, mariposas, besouros, larvas, borboletas, aranhas capturados entre a vegetação.

Saira Azul Carla Ribeiro (30)

Saíra Azul, macho, fotografada por Carla Barata Ribeiro, no Parque Olhos d’Água, em 2014

Atinge a maturidade sexual aos 12 meses. Reproduz na primavera e no verão. O ninho é uma taça profunda, feita de fibras finas, colocado de 5 a 7 metros do solo, entre as folhas externas de uma árvore. A construção do ninho é tarefa da fêmea, que é protegida pelo macho contra intrusos. São apenas duas ou três posturas por temporada. Os dois ou três ovos são esbranquiçados ou branco-esverdeados com manchas cinza-claras e são incubados pela fêmea. Durante este período ela é, às vezes, alimentada pelo macho.

Os filhotes são alimentados pelo casal e permanecem no ninho cerca de 13 dias. Mas os filhotes só podem ser separados da mãe aos 35 dias de idade.

Gostou da leitura?

Abaixo, 44 outras aves comuns à Capital Federal. Clique no enlace e confira. 

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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