Poema de Fim de Semana: Fisionomia do Beijo

Por Luiz Martins da Silva

 

O beijo não dado, memória,

Será dos valores maiores,

Não de uso, não de troca,

Mas, valia ainda morna

Do apropriado símbolo,

O jogo do co-jogado.

 

Marca emoliente de gesso,

Para sempre no passado,

Argamassa de ternura,

Mas, congelado lampejo;

Remanso, balseiro de rio,

Curso exumado de lava.

 

Natureza prenhe, larva;

Esboço de tinta e pincel,

Frio esforço de fervura,

Gesto à espera de gesta

De loa em toada de gente,

Verve de verbo divino.

 

Assim, o beijo não findo,

Todo dia será plano,

No delírio do almejo,

Azulejo, cena, sonho,

Enredo perdido, inconcluso,

Livro sem número de páginas.

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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Uma resposta para Poema de Fim de Semana: Fisionomia do Beijo

  1. Nailda Rocha disse:

    Lindo mestre!

    Curtir

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