Poema de Fim de Semana: A TV

TVPor Luiz Martins da Silva

[Pequena composição infantil]

A TV não é eterna, a despeito de suas

Pré-tensões.

 

A TV não é terna, por mais que nos tanja

Os corações.

 

Ela é só uma pantomima, mimos

Caídos das mesas dos deuses.

 

A TV sabe de tudo, sobretudo

Dos mortos atormentados em suas tormentas.

 

A TV é onipresente, até ainda há pouco

Diretamente dos Alpes, abrindo caixas pretas.

 

A TV, caixa de luz, é reflexo que nos induz

a crer em tudo que já queríamos querer.

 

Deus, quando fez o mundo, esqueceu-Se,

de desligar a TV, no cochilo do sétimo dia.

 

A TV não tem Gênesis. A TV não tem fim.

Todos os seus filmes não têm o The End.

 

A TV brinca com as sombras, quando elas zombam

Das madrugadas de nossos medos.

 

Mas a TV tem bondades, púlpitos, água benta,

Agora, e na hora, de nossa morte também.

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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2 respostas para Poema de Fim de Semana: A TV

  1. Nailda Rocha disse:

    E o mestre nos brinda com uma crítica deliciosa à tv?

    Curtir

  2. Sandra Fayad disse:

    Olha só, meu amigo Luiz Martins e eu convergimos para o mesmo ponto poético, explorando o mesmo tema e com a mesma mensagem para quem quiser ouvir.

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