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A movimentação financeira com esses feriados é estimada em R$ 18,66 bilhões no país. Foto de Chico Sant’Anna.

Texto e fotos de Chico Sant’Anna

Até mesmo a Capital Federal, sempre apresentada como cidade fantasma nos feriadões, com a folga da Páscoa, deverá ter suas economias azeitadas em R$ 60,2 milhões.

Quem disse que feriados são nocivos pra a economia de uma país, ou mesmo de uma cidade?

Recentemente, a grande mídia brasileira embarcou numa campanha, cuja origens estão na Federação das Indústrias de São Paulo, considerando que o Brasil tem muitos feriados, seria o campeão de feriados no mundo, e que se tivesse menos a situação econômica nacional seria outra.

Um monte de baboseiras, sem bases técnicas.

O mito de que no Brasil tem muito feriado e de que nós não gostamos de trabalhar foi quebrado – afirma o site UOL.

“Dados de um levantamento da consultoria Mercer sobre normas legais e condições de emprego em 64 países mostram que Índia e Colômbia são os países com mais feriados no mundo. Os dois países possuem 18 dias de folga cada, sendo que em seguida  estão Tailândia, Líbano e Coréia do Sul, com 16 dias de feriados.”

Foz do Iguaçu é um dos principais destinos turísticos do Brasil. Foto de Chico Sant'Anna
Foz do Iguaçu é um dos principais destinos turísticos do Brasil. Foto de Chico Sant’Anna

Potências econômicas, como a França possuem muitos mais feriados e folgas de trabalho, do que o Brasil. Na França são 15 feriados nacionais, sem contar os regionais. Lá , a semana de trabalho é rigorosamente a inglesa: tudo fecha sábado ao meio dia e a jornada semanal de trabalho é de 36 horas.

A Alemanha, outra grande potência econômica mundial, possui 13 feriados nacionais anuais. Nas Américas, o grande destaque é o Canadá: entre feriados cívicos e religiosos, são 18.

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O Brasil fica em posição intermediária na lista da consultoria Mercer com 12 feriados, ao lado de com outras 10 nações, dentre as quais Peru, África do Sul, Eslovênia, Hong Kong, Suécia e Taiwan.

Feriados movimentam o faturamento do setor Turismo

Os feriados não fazem bem apenas ao trabalhador, que consegue recompor suas energias. Eles revitalizam também a saúde da economia. O que seria da Bahia, ou do Rio de Janeiro, se não existissem os feriados de Carnaval? Milhões de pessoas deixariam de viajar para esses destinos, deixando de injetar recursos na economia desses dois Estados.

Barra Grande - Piaui (210)Em 2013, segundo informa o Ministério do Turismo, o setor de viagens e turismo contribuiu com 9,5% para a economia global.   Os números do Brasil mostram que o setor apresentou uma contribuição total – que inclui as atividades diretas, indiretas e induzidas do turismo – de 9,2% do PIB, o equivalente a US$ 205,6 bilhões (ou R$ 443,7 bilhões de reais) gerados.

Semana Santa movimenta Economia

Não é só de chocolate e de coelhinhos, além das atividades religiosas, que vive a Semana Santa. O feriadão deve injetar quase R$ 4 bilhões na economia nacional.

Somados todos os estados serão movimentados R$ 3,68 bilhões em cerca de 2 milhões de viagens internas. Os três estados que mais devem arrecadar com o turismo de Páscoa: São Paulo (R$ 570,1 milhões), Rio Grande do Sul (R$ 489,3 milhões) e Bahia (R$ 310,1 milhões). Apenas São Paulo deve registrar 407 mil viagens, seguido pelo Rio de Janeiro (174 mil) e Bahia (163 mil). A movimentação revela o interesse do brasileiro pelo próprio país. De acordo com o boletim mensal que monitora a intenção de viagem em sete capitais do país, 70,2% dos entrevistados que manifestaram a intenção de viajar pelos próximos seis meses o farão por algum destino turístico nacional.

A cidade de Planaltina, no Distrito Federal, atrai milhares de pessoas com a encenação da Paixão de Cristo. Foto: Divulgação.

R$ 60,2 milhões no Distrito Federal com o turismo na Páscoa

Nesta Páscoa, até mesmo a Capital Federal, sempre apresentada como cidade fantasma nos feriadões, deverá ter suas economias azeitadas em R$ 60,2 milhões. São receitas decorrentes da comercialização de quase 39,8 mil viagens, de acordo com estimativa do ministério do Turismo. O gasto médio pelo país nos quatro dias de folga será de R$ 1.712,00.

Para esse ano, Brasília deverá se beneficiar de um impacto econômico dos feriados positivo da ordem de R$ 265 milhões, de acordo com projeção do Ministério do Turismo. Juntos, os seis principais períodos de folgas prolongadas vão motivar 202 mil viagens para o Distrito Federal. O destaque é o Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senha Aparecida, mesma data em que se festeja o Dia da Criança: 12 de outubro. Espera-se para essa data a maior movimentação financeira e de pessoas nos destinos brasilienses: R$ 44 milhões em renda e 37 mil turistas na cidade. É equivalente a um dia de jogo da Copa de Mundo.

Cabedelo (14)
O segmento do Turismo responde pela geração de 3 milhões de empregos diretos e 5,4 milhões indiretos. Foto de Chico Sant’Anna.

Desta forma, é sem propósito a campanha de empresários da indústria propalada pela grande mídia nacional. Os feriados impulsionam a economia e geram impacto em diversos setores, desde a indústria de automóveis, setor aéreo, bares e restaurantes, hotelaria, souvenires, shoppings e serviços”. Acabar com feriados, seria jogar esses setores na crise. Além disso, o setor turismo é, na sua maioria, não poluente e ambientalmente correto.

Passados o Reveillon, Carnaval e Páscoa, o setor de Turismo e as autoridades federais apostam em seis outras datas de feriados: 21 de abril (Tiradentes, terça-feira), 1º de maio (Dia do Trabalho, sexta-feira), 4 de junho (Corpus Christi, quinta-feira), 7 de setembro (Independência do Brasil, segunda-feira), 12 de outubro (Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, segunda-feira) e 2 de novembro (Finados, segunda-feira). Isso sem contar com o Natal (15 de novembro cairá num Domingo).

A movimentação financeira com esses feriados é estimada em R$ 18,66 bilhões no país, um acréscimo de 10,9 milhões de viagens pelo país. A estimativa considera um acréscimo de 20 dias para o calendário nacional de viagens de 2015. E o turismo doméstico, ou seja, aquele feito por brasileiros, dentro do Brasil, responde por 90% desse montante.

É este segmento, que responde pela geração de 3 milhões de empregos diretos e 5,4 milhões indiretos, que empresários paulistas detentores de um olhar mesquinho, que desejam reduzir direitos trabalhistas e fazer suas máquinas rodarem os sete dias da semana 0 e tudo em parceria com uma imprensa sem responsabilidade – querem detonar no Brasil. Além, é claro, de propagar aquele sentimento de vira-lata, referido por Nelson Rodrigues, multiplicando no imaginário social de que o brasileiro é preguiçoso e não quer nada com o trabalho

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