Bumba meu boiPor Ana Rossi

Lá na fazenda do patrão,

Lá pelas bandas do sertão,

Ou será no Maranhão?

Catarina, grávida, com os óião

Vê o boi pintado garanhão.

 

Seu Francisco, com os óião

Preocupado fica com o comichão,

Sentado na frente do portão,

Seu Francisco, ai que medão !

O que será de nóis, então?

 

Mas, muié grávida tem prontidão,

Lá, onde toca o serão,

Lá, lá longe no meu sertão,

Ou será no Maranhão?

Minha muié com o barrigão,

Tinha mesmo é que comer o lingueirão.

 

E assim de madrugada,

Quando todos acalmados,

Na senzala, na casa grande,

Seu Francisco, com os óião,

Matou aquele boizão.

 

Seu Francisco e Catarina,

De noitinha, sem tropicão,

Se embrearam pelo matão,

Ai, meu Deus que medão!

 

Anos depois, com preocupação,

Francisco e Catarina e o filhão,

Voltaram às terras do patrão,

Lá estava o esqueletão,

O menino mandou um soprão,

Ai meu Deus, lá vai o boizão,

Dançando na escuridão ! 

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