grilosPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

I

Num Planeta de grileiros,

Eles querem quase nada,

Tão só um cantinho oco,

Para os seus trinos, cricrilos.

 

II

Esconde-esconde, mistérios,

Mistificações de fêmeas,

Quando de noites feéricas,

Da Amazônia ao Saara.

 

III

Soube do imperador menino,

Não tendo mais dinastia,

Apegou-se, amuleto-bichinho.

Na gaiola, toda a China.

 

IV

Asa Norte de Brasília,

Oficinas tiram teimas,

Imaginem, que infâmia!

Detestam os maquinários.

 

V

Tampouco latejam cabeças,

Por mais que insistam, insetos.

O que insinuam é um sestro,

Tique de neuróticos anônimos.

 

VI

Admiro-te em miragens

Da ciência quando cisma,

Mesmo no cotidiano,

De que algo está estranho.

 

VII

Findo o sétimo exercício,

Do verbo, ofício, cantiga.

Se se sabe mais do amigo,

Pois, sem segredo, fidalgo!

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