Globo terrestre -- GabiAquarela de Gabriela Martins T. Serpa. Poema de Luiz Martins da Silva

Espelho I

 

Planeta, olhando a figura,

Reflexa no céu profundo,

Intimidado, não ri.

Vergonha do pranto na face,

Enquanto se vê, sisudo,

Aos poucos bilhões de idade. 

 

Espelho II

 

Até no remoto deserto

Ainda encontra beleza.

Por mais escasso que seja,

É gênese plena de vida

Explodindo em cara poro,

Basta-lhe uma gota de orvalho.

 

 

Espelho III

 

Do futuro o que podemos,

Cada um dos seus bilhões,

Planeta de todos nós

Em cada semeadura:

Ocaso ou Jardim do Éden,

Berço ou cova, já o somos. 

 

Espelho IV

 

Hora de contar segundos,

Na ação de cada dia,

Calendário do agora.

Coração de continente

De tudo que há na Terra,

Há muito mais do que gente.

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