Comida mineiraPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Nem todo dia é de feira,

Nem todo dia é mercado.

Não somos donos de nós,

Nem do mês, nem do fiado.

 

Hora de fervor, oração:

‘Afasta de mim esta cesta

E me traz o mantimento

De um bom bocado que seja’.

 

Dentro de poucas horas,

Aparece o escondidinho,

Milagre de São Longuinho,

Achar o que não existia.

 

Dona de casa, a surpresa,

Revelação do certame.

É ela que faz milagres

Na alta gastronomia.

 

Espanto geral dos jurados,

O público aplaude de pé.

Qual é o nome do prato?

Receita do nada com fé.

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