YaraPor Ana Rossi

para Guimarães Rosa.

 

Iara, senhora das águas, olhos de

muiraquitã, índia caxinauá, mulher

moça das terras vermelhas, carne de peixe

da água gorda dos rios de lá…

 

lá perto da pororoca, estrebilhos

acertados nas ondas das águas em

nhengatu: – “iquê, ianê retama icu,

Paraná inhana tumassua quito…”

 

no barco pesqueiro, a voz clama de

noite o seu pesar, entre luzes prateadas

dos raios da lua trançada nos igarapés

 

no barco pesqueiro, o seringueiro espreita

cintura pra cima cunhantã, cintura pra

baixo tucunaré, a Iara, filha de lá…

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