por do solPor Ana Rossi

Era um dia daqueles bem quentes, e dona

onça pintada, faminta, aguarda, de olhos

fechados, a chegada do sr. coelho num daqueles

dias quentes, mas bem quentes e seco mesmo

 

e dona onça, deitou-se na estrada, bem

no meio da estrada, fingindo-se de morta,

esperando a chegada do sr. Coelhinho que

chegou meio desconfiado, saltitando, de leve

 

zapt, zapt, lá vem ele, zap, zap, lá vem ele,

e naquele calor tremendo, começaram os

gritos: a onça morreu, e o coelho gritou:

tem que provar que morreu mesmo, e agora

 

tem que espirrar uma vez!, e a onça de olho

semi-aberto pensou e espirrou, e a bicharada

se afugentou na maior correria; o almoço não

será desta vez, pensou ela de olhos arregalados

 

mas dona onça era tinhosa, ela foi mesmo para a

lagoa, pois, mais hora, menos hora, sr. coelho

haveria de por lá aparecer, e aí…  sr. coelho chegou

 

naquela hora tudo estava calmo, a água da lagoa

brilhava, sr. coelho, farto de esperar, se lambuzou

de mel, e rolou no meio das folhas secas, e assim

se aproximou da beira da lagoa, e dona onça:

 

quem é aquele um? todo verde ? ei, quem é você?

sou o bicho folharal, um bicho muito raro, venho

das terras das onças rainha. cheguei há pouco aqui

 

enquanto isto sr. coelho bebe água, e dona onça

muito impressionada com a terra das onças rainha;

depois de beber, sr. coelho se esfrega no chão e diz:

quem não sabe identificar o verdadeiro do falso, perde.

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