Fábula da semana: encantamento 10: a moura torta

JARDIM-1-1-1Por Ana Rossi

Era uma vez um lindo rapaz que saiu a procurar

uma esposa, queria ele, para poder se casar ;

de tanto andar, ele chegou em um pomar onde

uma velhinha lhe deu três melancias, dizendo-lhe:

abra-as apenas quando estiver perto de muita água,

apenas assim, senão provavelmente se arrependerá;

o moço seguiu o caminho, e mais adiante, com muita

sede, ele se esqueceu do aviso daquela linda velhinha,

e zapt, cortou a primeira melancia: de dentro saiu uma

linda moça, “quero água, quero água”, disse ela prestes a

definhar, mas não havia água por perto, e feito uma rosa

murchando, ela secou, secou, e de repente se evaporou.

o moço, inconformado, seguiu seu caminho, e mais adiante,

novamente a sede a espreitar, e zapt, outra melancia cortada,

“ah, tenho sede, quero água”, disse a linda moça, já lívida,

e o moço, novamente, viu a segunda moça se evaporar

restava-lhe a terceira melancia ; desta vez ele chegou à

beira de um riacho, e zapt, cortou a terceira melancia, e

novamente saiu uma linda moça, que muita água bebeu,

e desta vez ela não desfaleceu, ficou a olhar tanta água,

“suba na árvore enquanto eu vou à cidade comprar uma

roupa” ; e lá ficou ela, escondida lá em cima, quando

chegou uma velha bem velha, uma moura que olhou para

o espelho d’água e viu o lindo rosto da moça a refletir,

“ah, como sou bonita, disse ela” ; e a moça começou a rir ;

e a moura ouviu o riso, e pediu para ela descer da árvore,

e a moça falou de um lindo rapaz: “vou pentear seus

lindos cachos” ; a moça desceu, e a moura começou a pentear,

“que lindos cabelos, com um belo grampo eu vou enfeitar”,

 e enfiou um alfinete na cabeça da moça que se tornou uma

linda pombinha; quando o moço voltou encontrou a moura

na árvore, embora estranhando levou-a para casa e com ela

casou-se ; algum tempo depois, a pombinha chegou ao jardim,

 e todas as manhãs pousava na mão do rapaz, a moura

 logo pediu que ele a matasse, “teremos um bom jantar”, e

quando o rapaz ia dar o golpe final, ele sentiu uma pontinha

na cabeça, e retirou o alfinete, e apareceu a linda moça, e daí,

como é de praxe, eles se casaram e foram felizes para sempre

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Arte e Cultura em Brasília, Cultura, Folclore, Literatura. Bookmark o link permanente.

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