Por Luiz Martins da Silva

 

Cristo não o foi.

Ou, pelo menos está escrito.

Prá lá da literatura, Madalena.

Ser pai é mais que novena,

É o sono quase dormido, tão presente

E tão ideal quanto a Nebulosa de Magalhães.

 

 

Haverá sempre uma chama acesa,

Ainda que sobre o gelo das estepes

Ou até no morro dos ventos uivantes.

Na mais humilde cabana haverá um Pai Tomás.

Ou pode ser também na invisível catedral,

Sanctum ou Ashram, aos pés de Khrisna.

 

 

Oh! Hare, Hare! Banal e raro.

Ser pai, eu o soube, antes de o saber.

Foi de um comunista [hoje, não mais].

Pois, esse ex-, quis o desatino,

O filho do ateu era devoto.

Saiu aos mantras e aos incensos.

 

 

Internou-se numa comuna mística.

O pai quase pirou, aliás, como todos.

Filhos! Até o poetinha quis tê-los, para sabê-los.

O Pai, de tudo e de todos, até de si próprio,

Delegou aos daqui missão intransitiva:

Quem é pai há de se rever, no tardio filho.

 

 

Hoje, quem não mais o tem,

Nem por astro, nem padrasto,

Há de ser pródigo, papo cabeça.

Cadê o velho que estava aqui?

Orações que o valham, pois:

O Pai Nosso pode estar no Céu.

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