Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui a Corruíra do Campo

Altiplano leste, ariramba preta

A corruíra do campo comum ao Distrito Federal também se faz presente no Sudeste do Brasil, nos estados de Goiás e Minas Gerais, no Paraguai e no Nordeste da Argentina. Foto de João Rios, captada no Altiplano Leste, em julho de 2014.

Texto de Chico Sant’Anna, com base na WikiAves, a Enciclopédia das aves do Brasil, e no blog Ambiente Brasil. Fotos de Fernando Carvalho, João Rios, Márcio Rojas e Rogério de Castro. Agradecimentos aos grupos Observaves e Observadores de Aves 

 

Nome de avenida em Arapongas, Paraná, a Corruíra-do-campo é uma ave da ordem Passeriformes, da família Troglodytidae. Seu nome científico Cistothorus platensis é uma combinação de significados: do (grego) kistos = arbusto, arbustos nas rochas; e thouros, thrösko = pulando, correndo, saltar, correr; (latim) platensis referente a região do rio da Prata na Argentina.  Resumindo: ave do Prata que pula por pedras e arbustos.

Corruíra do campo Rogério de Castro Floresta Nacional de Brasília 3

Este pássaro tem a capacidade de permanecer na vertical, em troncos de árvores, preso pelas garras, por alguns segundos. Foto de Rogério de Castro, na Floresta Nacional de Brasília, em maio de 2014.

Características

Este pássaro tem por hábito saltitar no solo e executar vôos curtos e rápidos e pode permanecer na vertical, em troncos de árvores, preso pelas garras, por alguns segundos.

A ave mede entre 9 e 11,5 centímetros de comprimento. Apresenta coloração marrom-claro nas penas. Do seu papo até a barriga prevalece a cor branco. Suas grandes coberteiras e suas rêmiges são listradas. O seu bico é um pouco curvo.

No Brasil, a Corruíra-do-campo é vista com mais regularidade nos Estados da Região Sul, em Minas Gerais, Goiás e no Distrito Federal.

Corruíra do campo Fernando Carvalho

Ela prefere as bordas de matas, cerrados, caatingas, pântanos, campos de altitude e também se faz presente em algumas áreas urbanas. Foto de Fernando Carvalho.

Ela prefere as bordas de matas, cerrados, caatingas, pântanos, campos de altitude e também se faz presente em algumas áreas urbanas. Em geral, é difícil de se ver; move-se quase como um camundongo pelo solo ou a baixa altura, entre a vegetação densa.

Embora seu estado de preservação seja considerado pela Wikiaves como Pouco preocupante, sua ocorrência é escassa e localizada em campos naturais em bom estado de conservação.

Estado de Conservação
(IUCN 3.1)

Pouco Preocupante

Corruíra do campo Márcio Rojas Jardim Botânico de Brasília 1-2-2015 1

A corruíra-do-campo constrói o ninho, achatado, com raminhos secos e acolchoando-o com raízes finas, pelos e penas. Foto de Márcio Rojas, no Jardim Botânico de Brasília, em fevereiro de 2015.

A corruíra-do-campo constrói o ninho, achatado, com raminhos secos e acolchoando-o com raízes finas, pelos e penas, utilizando cavidades de árvores ou de telhados, ninho abandonado de joão-de-barro e caixas de correio e de luz.

Na época de cria, o macho pousa em poleiros expostos e bem visíveis para cantar. Seu canto é complexo e musical, com gorjeios e trinados variados e repetidos.

No ninho são postos 3 ou 4 ovos vermelho-claros, densamente salpicados de mais escuro, mostrando num dos pólos uma coroa pouco distinta de pontos pardo-escuros. A fêmea incuba os ovos durante cerca de 15 dias e o casal alimenta os filhotes, que abandonam o ninho após 17 a 18 dias.

Corruíra do campo Fernando Carvalho 2

A ave mede entre 9 e 11,5 centímetros de comprimento. Apresenta coloração marrom-claro nas penas. Foto de Fernando Carvalho.

Na época de cria, o macho pousa em poleiros expostos e bem visíveis para cantar. Seu canto é complexo e musical, com gorjeios e trinados variados e repetidos.

Alimentação

A Corruíra-do-campo se alimenta de insetos e outros artrópodes capturados na folhagem, pequenos frutos e sementes; bate contra um galho os insetos relativamente grandes para retirar-lhes as asas ou matá-los.

Veja e ouça aqui o canto da Corruíra-do-campo
na gravação de Sérgio Murilo de Carvalho

Corruíra do campo Rogério de Castro Floresta Nacional de Brasília 2

Na época de cria, o macho pousa em poleiros expostos e bem visíveis para cantar. Foto de Rogério de Castro, captada na Floresta Nacional de Brasília, em maio de 2014.

Subespécies

A Corruíra-do-campo  é uma espécie de taxonomia complexa. Possui quatorze subespécies divididas em três grupos Stellaris, Aequatorialis e Platensis. A corruíra do campo comum ao Distrito Federal, Sudeste do Brasil e nos estados de Goiás e Minas Gerais é a do grupo Platensis da subespécie Cistothorus platensis polyglottus . Também presente no Paraguai e no Nordeste da Argentina.

A grande variação nas vocalizações das subespécies sugere que devem surgir novas subdivisões nestes grupos (del Hoyo, 2014).

Os grupos são divididos em função da localidade geográfica de onde se fazem presentes .:

1) Grupo Stellaris – Com ocorrência da América do Norte até o Panamá.

  • Cistothorus platensis stellaris (J. F. Naumann, 1823) – ocorre no Leste do Canadá até o Leste dos Estados Unidos da América; no inverno pode ser encontrado na região que abrange o estado da Flórida até o Nordeste do México.
  • Cistothorus platensis elegans (P. L. Sclater & Salvin, 1859) – ocorre nas regiões Sul e Central da Guatemala;
  • Cistothorus platensis tinnulus (R. T. Moore, 1941) – ocorre no Oeste do México, das regiões de Nayarit até Michoacán e no Distrito Federal Mexicano (Cidade do México);
  • Cistothorus platensis potosinus (Dickerman, 1975) – ocorre nas regiões Norte e Central do México em San Luis Potosí;
  • Cistothorus platensis jalapensis (Dickerman, 1975) – ocorre no Leste do México do interior do estado de Veracruz até a região de Orizaba;
  • Cistothorus platensis warneri (Dickerman, 1975) – ocorre na região tropical do Sul do México, nos estados de Veracruz, Tabasco e no Oeste do estado de Chiapas;
  • Cistothorus platensis russelli (Dickerman, 1975) – ocorre em Belize, nos distritos de Toledo e Cayo;
  • Cistothorus platensis graberi (Dickerman, 1975) – ocorre do Leste de Honduras até o Nordeste da Nicarágua;
  • Cistothorus platensis lucidus (Ridgway, 1903) – ocorre da região subtropical central da Costa Rica até o Oeste do Panamá na região de Chiriquí;

2) Grupo aequatorialis – Com ocorrência no Noroeste da América do Sul, da Bolívia e Colômbia até a Guiana.

  • Cistothorus platensis [aequatorialis, tamae ou tolimae] (Lawrence, 1871) – ocorre no Leste da Cordilheira dos Andes, na região Central da Colombia até a região central do Equador;
  • Cistothorus platensis alticola (Salvin & Godman, 1883) – ocorre nas montanhas do Norte da Colômbia até o Norte da Venezuela e Sul da Guiana;
Corruíra do campo Márcio Rojas Jardim Botânico de Brasília 1-2-2015 2

Corruíra do campo no Jardim Botânico de Brasília, foto de Márcio Rojas, em fevereiro de 2015.

3) Grupo platensis – com ocorrência no Sul da América do Sul, do Norte da Argentina e Sudeste do Brasil até a Terra do Fogo.

  • Cistothorus platensis platensis (Latham, 1790) – ocorre na região central e no Leste da Argentina até a região de Córdoba e Mendoza;
  • Cistothorus platensis graminicola (Taczanowski, 1874) – ocorre na Cordilheira dos Andes do Sul do Equador até o Noroeste da Bolívia até a região de La Paz;
  • Cistothorus platensis minimus (Carriker, 1935) – ocorre no Sul do Peru na região de Puno (Oconeque);
  • Cistothorus platensis hornensis (Lesson, 1834) – ocorre no Sul da Argentina na região de Neuquén e no Chile, da região de Coquimbo até a Terra do Fogo;
  • Cistothorus platensis falklandicus (Chapman, 1934) – ocorre nas Ilhas Malvinas;
Corruíra do campo Rogério de Castro Floresta Nacional de Brasília 1

Corruíra do campo na Floresta Nacional de Brasília. Foto de Rogério de Castro, em maio de 2014.

  • Cistothorus platensis polyglottus (Vieillot, 1819) – ocorre no Sudeste do Brasil, dos estados de Goiás e Minas Gerais até o Paraguai e o Nordeste da Argentina;
  • Cistothorus platensis [tucumanus or boliviae] (Hartert, 1909) – ocorre no Noroeste da Argentina, da região de Jujuy até a região de Catamarca e Tucumán; (Clements checklist, 2014).

 

Gostou da leitura? Tem mais:
Abaixo, 46 outras aves comuns à Capital Federal.
Clique no enlace e confira. 

 

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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