Menino jornaleiroPor Luiz Martins da Silva

Feitos do Diabo são fatos.

Notícias desde Caim.

 

Deus é factual,

Suas manchetes, não.

 

Haveria livro de areia,

Leituras de sopro e tempo?

 

Nem todos os papiros

Reportarão prodígios.

 

Uns anunciarão terror,

Vômitos de lava no fim.

 

Lírios não tecem,

Tampouco entrevistas.

 

Tão bom ter imagens,

Entender de alegorias.

 

Alguém rege melodia

De trinados matinais?

 

Ontem vi uma reportagem

Sobre os peixes do deserto.

 

Eles se guardam, onde,

Na certeza da esperança?

 

Também o bem do vizinho

Algum dia será tinta.

 

Um astronauta subiu

E no cosmos não viu Deus.

 

Outro voltou de lá

E viu melhor sua Face.

 

Quantos em nome do Bem

Se elegem só para o si?

 

Quantos, só por amor,

Já O são, sem o saber?

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