Regufe e Cristovam
Reguffe e Cristovam devem aguardar um tempo maior antes de decidir se migrarão para o recém criado Rede, de Marina Silva.

Os dois senadores pedetistas tendem a esperar para avaliar o quadro político partidário que irá se formar no Brasil.

Por Chico Sant’Anna

 

O Tribunal Superior Eleitoral – TSE aprovou na noite de terça-feira, 22, o registro de partido político da Rede Sustentabilidade, liderada pela ex-presidenciável e ex-ministra do Ambiente e ex-senadora Marina Silva, uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT).

(OBS.: O presente texto foi escrito em  23/09/2015. Em 17/02/2016, os senadores Cristovam Buarque e Reguffe anunciaram as respectivas saídas do PDT-DF. Cristovam foi para o PPS e Reguffe ainda não definiu seu futuro partido e deve aguardar um pouco até tomar esta decisão.)

Embora simpáticos ao novo partido, os dois senadores do PDT do Distrito Federal, Cristovam Buarque e José Antônio Reguffe não deverão deixar a legenda criada por Leonel Brizola. Pelo menos não pelo momento. A posição dos dois é de aguardar para ver o que acontece na política nacional e local. Já o deputado distrital Chico Leite, do Partido dos Trabalhadores, deve ser o primeiro da cidade a migrar para a Rede.

Com a decisão do TSE, o Brasil passa a ter 34 partidos. A partir de agora, a Rede, que foi oficializada com as assinaturas de 498 mil apoiantes, pode ter filiados e concorrer a eleições. Parlamentares já filiados a outros partidos têm, assim, o prazo de 30 dias, contados do registro do estatuto partidário pelo TSE, para filiarem se na nova agremiação, sem risco de perda do mandato por infidelidade partidária.

Formalmente, Reguffe tem dito que se elegeu filiado ao PDT e que não pretende mudar de partido ao longo do mandato eletivo de senador. Para os mais próximos, contudo, ele confidencializa que esta posição poderá mudar, dependendo dos rumos que o PDT vier a tomar, em especial, em relação ao governo Dilma Roussef e ao PT. Uma eventual coligação PT-PDT, com Ciro Gomes na cabeça concorrendo à presidência da república, poderá afastá-lo do PDT.

Cristovam Buarque, que foi assistir pessoalmente ao julgamento do TSE que formalizou o nascimento da Rede, também afirmou a interlocutores que o momento é o de analisar o cenário político. Cristovam ambiciona uma candidatura ao Planalto. A vaga de candidato no PDT parece já estar ocupada por Ciro Gomes, mas na Rede, a vaga também já tem dono: Marina Silva. Por isso, o momento é de aguardar para saber como a poeira vai se assentar.

Outra desvantagem da Rede de Marina é que a legenda não contará com horário eleitoral gratuito, pois não possui parlamentares eleitos originalmente pela agremiação. Salvo se vier a coligar-se com um partido mais antigo. De qualquer maneira, Reguffe e Cristovam não tem a contagem regressiva dos 30 dias a pressioná-los. O Supremo Tribunal Federal já deliberou que senadores podem trocar de partido a qualquer hora sem risco de perder o mandato eletivo.

O deputado distrital Chico Leite deve se transferir do PT para a Rede em um prazo de dez dias. Marina prometeu a Leite a vaga para disputar o Palácio do Buriti, em 2018.

GDF

Mesma tranquilidade não terão os distritais Chico Leite e Joe Vale, hoje no PT e PDT, respectivamente. Simpáticos ao partido de Marina, os dois terão até 22 de outubro pra decidirem se migram ou não para a Rede.

Chico Leite, campeão de votos no Distrito Federal em 2014, e Joe Valle não comentam sobre as prováveis filiações, mesmo com as conversas que já  estariam adiantadas. “Tem conversas sendo feitas, mas conversas muito reservadas, porque esse tipo de anúncio só é feito quando a coisa está pronta para acontecer”, admitiu ao Jornal de Brasília o secretário de Meio Ambiente do DF, André Lima, que já foi porta-voz da Rede e é um dos principais articuladores da criação do partido na capital federal.

Nos corredores da Câmara Distrital, as informações dão conta que Chico Leite migrará par a Rede em uns dez dias e tem como promessa de Marina a legenda para concorrer ao Palácio do Buriti. Já Joe Vale, que também acompanhou a sessão do TSE, não tem claro seu destino. Inclusive, pelo fato da reforma administrativa do GDF poder lhe reservar uma super secretaria, envolvendo a Agricultura e outras pastas.

Histórico

Em 2014, Marina Silva não conseguiu obter o registro da Rede e acabou por candidatar-se às eleições presidenciais pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), primeiro como candidata a vice de Eduardo Campos, líder do PSB. Na sequência da morte de Campos num acidente aéreo, em plena campanha eleitoral, Marina Silva se tornou candidata a presidente. Na eleição obteve 22,1 milhões de votos, não conseguindo passar para o segundo turno que foi disputado por Dilma Rousseff, do PT, e Aécio Neves, do PSDB, e que deu a vitória à candidata petista.

O registro da Rede teve o voto favorável dos ministros do TSE João Otávio de Noronha, Herman Benjamin, Henrique Neves, Luciana Lóssio, Gilmar Mendes, Rosa Weber e do presidente do tribunal Dias Toffoli.

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