viplan

Por Isabella Calzolari, do G1 DF

Procuradoria estima que grupo tenha causado prejuízo de R$ 875 milhões.
Ele foi alvo de operação em maio sobre suposto esquema de fraude fiscal.

A Polícia Federal prendeu na manhã da sexta-feira (9/10) o empresário Wagner Canhedo Filho depois que a Justiça determinou a prisão preventiva dele a pedido do Ministério Público Federal (MPF). Segundo a PF, Canhedo Filho foi preso em casa, em Brasília, por volta das 7h.

Investigadores solicitaram que ele fique proibido de deixar o país justificando que, “diante do robusto poder econômico, o risco de fuga é inafastável, o que poderia colocar em risco a aplicação da lei penal”.

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Canhedo Filho é o principal gestor do grupo Canhedo, que atua nos setores de hotelaria e de transportes na capital federal. Ele é dono da empresa de transportes Viplan, que operou na capital federal por 44 anos.

G1 ligou para o celular do empresário solicitando o telefone da defesa, mas uma mulher que não quis se identificar disse que não poderia dar informações.

A estimativa da Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) é que as fraudes cometidas pelo grupo empresarial tenham causado um prejuízo de R$ 875 milhões aos cofres públicos. De acordo com a Procuradoria da República do DF, o empresário é investigado pelos crimes de fraude à execução, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

O caso é apurado desde o ano passado pelo Núcleo Criminal do MPF e pela Polícia Federal. De acordo com a procuradoria, com a prisão dele, os investigadores pretendem “garantir o fim de práticas adotadas com o propósito de impedir a execução de dívidas tributárias”.

Em maio deste ano, Canhedo Filho foi alvo de operação da PF para investigar um suposto esquema de fraude fiscal que pode ter chegado a R$ 875 milhões. Durante as buscas, ele foi detido em flagrante por posse ilegal de arma. Ele é filho do ex-dono da Vasp.

Medidas

Em maio deste ano uma ordem judicial determinou o cumprimento de vários mandados de busca e apreensão e ainda o afastamento dos gestores do controle administrativo de empresas do grupo Canhedo.

Na época, a suspeita era de que Canhedo Filho usava empresas fantasmas, abertas em nome de laranjas, para movimentar o dinheiro arrecadado pelo complexo empresarial “impedindo, dessa forma, o cumprimento de execuções fiscais”, informou a procuradoria. A apuração já identificou pelo menos seis empresas que teriam sido usadas na prática.

Três meses depois, novas informações reunidas pelos investigadores apontavam que o empresário mantinha a prática. “Canhedo Filho migrou seu esquema para a utilização de outras empresas até então não conhecidas e também não atingidas pelos bloqueios judiciais no âmbito da Execução Fiscal, dentre as quais seguramente a Cooperativa de Transportes Alternativos e Autônomos do DF”, detalha um dos trechos do documento enviado à Justiça com o pedido de prisão preventiva.

O G1 não localizou a cooperativa citada. O MPF cita que no dia 28 de agosto o empresário sacou mais de R$ 1,2 milhão de uma conta bancária em nome da cooperativa que, anteriormente, havia recebido depósitos “vultosos” da principal empresa do grupo.

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