CigarraPoema de Luiz Martins. Foto de Chico Sant’Anna

 

Elas voltaram. Estamos aqui.

Mais uma vez, elas e nós,

Entrelaçando tempo e luz,

Cruzando xis em seções de cantorias.

 

 

Conivência, reinventar o calendário.

Pretexto de seresta, novo natalício.

Intimidades de zumbido, foi há um ano,

Remarquei para outubro o aniversário.

 

 

Retornando ao mundo e às flores,

Atinei o desleixo da memória:

Como pude elidir da mesma história

Cigarra, calorão e flamboyant?

 

 

Desde então, não sei o que é pranto.

Também truncado neste particular.

Hoje, redescubro, ao ouvi-las, estridentes,

Urge-me reaprender a chorar.

 

 

Quem souber de lágrima será gente.

Quem queira ser eterno, será canto.

Atingir em sonho nota máxima do juízo,

Entoar, convicto, o desatinado estribilho.

 

 

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