tabord outono011Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Hoje, meu coração é mais seiva,

Quase outono, folha, orvalho.

Contem-me reais novelos

De amores reencenados.

 

 

O mundo não se acabou.

Por favor, digam que sim:

Que a esperança não tem fim.

Eterno, é o nosso amor.

 

 

Van Gogh não sofre mais.

Algozes, desempregados.

Respeitos emoldurados,

Cruéis nem os carnívoros.

 

 

Não, não são de verdade

Os fatos no vão da tevê.

São pesadelos, delírios,

Pois, ferimentos não há.

 

 

Fica decretado, hoje,

Nenhuma criança faminta.

Maus tratos, nem no cinema,

Tampouco nos animais.

 

 

Todo humano será ser

Não de tirar, mas prover.

Amigos, em paz, sem brigas.

Mais abraços, menos siglas.

 

 

O beijo é todo o oceano,

Um instante é o infinito,

Criança contando areia,

Sonho, ciranda, sereia.

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