Com base em Myrcia Hessen, do portal R7

Com inauguração anunciada para 2017, obra do trem que ligará Brasília a Goiânia ainda está em fase de conclusão dos estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental.

Na época em que foi anunciado em 2012, a promessa era de que o trem de alta velocidade que ligará Brasília a Anápolis e Goiânia seria inaugurado em 2017.  Logo os brasilienses apelidaram a ligação férrea de Expresso Pequi. No entanto, é impossível que isso venha ocorrer dentro do prazo inicialmente previsto. Apuração do portal R7 DF mostra que o projeto ainda nem saiu do papel: está em fase de conclusão dos estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental.

A Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste – Sudeco alega que o prazo de quatro anos foi anunciado em junho de 2012 pela gestão anterior. Na ocasião, o superientendente era o atual presidente do Metrô do Distrito Federal, Marcelo Dourado, um entusiasta do transporte sobre trilhos.

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Na época, o custo estimado da obra era de R$ 700 milhões. Hoje o órgão diz que só saberá quais serão os custos globais do empreendimento após a conclusão do estudo, que não tem data para ficar pronto.

Para dar início a execução do projeto, uma solenidade poposa aconteceu reunindo autoridades do governo federal, o governador de Goiás, Marcone Perilo, e o à época vice-gernador, Tadeu Filippelli. O consórcio responsável pela elaboração dos estudos já entregou os 12 produtos, sendo que oito já foram avaliados pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Porém, o órgão afirma que “não é razoável estimar prazos objetivos”.

Quando sair do papel, o empreendimento contará com recursos públicos e privados para ser construído. Nos estudos, está sendo analisado a possibilidade de utilização da linha férrea para o transporte regional e semi-urbano, atendendo as cidades do Entorno do DF: Águas Lindas e Santo Antônio do Descoberto. O número de pessoas que utilizarão diariamente o trem dependerá dessa definição.

Brasília fica a pouco mais de 200 km de Goiânia e, segundo a Sudeco, as cidades desenham “claramente um corredor de desenvolvimento”. O trecho Brasília-Anápolis-Goiânia possui aproximadamente seis milhões de habitantes, o que representa mais de dois terços (70,1%) do contingente populacional do Distrito Federal e de Goiás juntos e quase metade (42,8%) da população do Centro-Oeste.

Para o professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília – UnB, Willy Gonzales, especialista em transporte urbano, a demora em se implantar o trem-bala ligando Brasília a Goiania “posterga” a possibilidade de desenvolvimento desse eixo e atrapalha ainda mais o desenvolvimento entre as cidade de Anápolis e Goiânia, que já podem ser comparadas a Campinas e São Paulo do ponto de vista econômico e social.

— A construção do trem de alta velocidade traria impacto em toda região (Brasília-Anápolis-Goiânia) e fortaleceria ainda mais Anápolis. Ia consolidar, do ponto de vista economico e social, esse crescimento. Com a postergação, [o governo] termina não atendendo a demanda do transporte de cargas no eixo Brasília-Goiânia.

O especialista diz ainda que nunca acreditou na primeira previsão de construção do trem-bala, em 2017. Isso porque trata-se de uma obra de grande porte.

— Eu estimo dez anos para começar a funcionar. É o mesmo processo que foi em São Paulo, a mesma demora de várias outras obras porque não é tão simples. Mas, se continuar acontecendo como está, tento ruptura sempre que um governo novo é eleito, o negócio vai demorando. Esse é um ponto que deveria ser considerado, a influência política termina criando um problema, deveríamos trabalhar em cima da experiência do Rio de Janeiro, a forma como trabalharam e pensaram o modelo de gestão é um exemplo que poderia ajudar.

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