Por Moacyr Oliveira Filho

 

O deputado distrital Júlio César Ribeiro (PRB), ex-secretário de Esportes do GDF no governo Agnelo e atual líder do governo Rollemberg na Câmara Legislativa, em aparte feito no plenário, na quarta-feira (04/11), sugeriu que o GDF vendesse a área ocupada pela ARUC, desde 1973, para fazer caixa.

O deputado Júlio César Ribeiro chegou em Brasília em 2012, a mando da cúpula da Igreja Universal. Quando ele chegou em Brasília, a ARUC tinha 51 anos e já era Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal.
O aparte do deputado, que se diz um entusiasta do esporte no DF, mostra o seu total desconhecimento da história da ARUC no samba, no esporte e na cultura de nossa cidade, que valeram à ARUC o registro como Patrimônio Cultural Imaterial do DF.
Desconhecimento do trabalho esportivo realizado pela ARUC, nesses 54 anos, de suas equipes, campeãs em várias modalidades esportivas, de seus projetos sociais, muitos deles desenvolvidos em parceria com o GDF e o governo federal.

Desconhecimento do trabalho cultural e comunitário desenvolvido pela ARUC, com cursos de capacitação profissional, entre outros.
Desconhecimento, enfim, da história da ARUC que nesses 54 anos sempre lutou pelo samba, pelo esporte e pela cultura no Cruzeiro e no DF.
O site do deputado não diz quando ele chegou em Brasília, limitando-se a informar que ” a partir de 2006 atuou como empresário nas áreas de Segurança e Comunicação, até ser convidado a assumir em 2012 o cargo de secretário-adjunto da Secretaria de Esporte do GDF. No final de 2012 tornou-se secretário de Esporte”, o que me faz deduzir que ele chegou na cidade nessa época, por volta de 2006. Se for isso mesmo, quando o deputado chegou em Brasília, a ARUC já tinha 45 anos.
Além de mostrar desconhecimento da história da ARUC, e portanto da própria cidade, o aparte e a proposta indecorosa do deputado é um desrespeito à nossa entidade, ao se referir de forma equivocada e ofensiva à área que ocupamos desde 1973.
Ao dizer que é uma área gigantesca que está ociosa, largada, o deputado desconhece todas as benfeitorias que foram feitas pela ARUC naquela área, ao longo desses anos, e desconhece que a não renovação do contrato de ocupação, vencido em 1990, é que impede a ARUC de continuar promovendo benfeitorias na área e realizando mais projetos culturais, esportivos, sociais e comunitários em benefício dos moradores do Cruzeiro.
No seu aparte, o deputado lembra da aloprada notificação para que a ARUC desocupasse a área, feita recentemente pela então secretária de Esportes, Leila Barros, e , desinformado ou de má fé, diz que foi um pedido da Procuradoria do DF.

Isso não é verdade. Em nenhuma linha de seus Pareceres a Procuradoria faz essa recomendação. Tanto que a Secretária Leila Barros reconheceu o erro cometido e um dia depois tornou sem efeito tal notificação. Como a Secretária Leila Barros é do mesmo partido do deputado e o deputado agora volta a citar essa notificação, começo a suspeitar que a Secretária Leila Barros não tenha cometido apenas um erro, por interpretação expansiva do Parecer da Procuradoria do DF, como, na época, justificou, mas sim tenha cometido um erro por ordem do deputado que, aliás, é o chefe político do PRB.
A proposta do deputado Júlio César é uma ofensa à ARUC, à sua comunidade e a todos os que trabalham com cultura na cidade e merece ser veementemente repudiada.
Espero que o governador Rodrigo Rollemberg, que conhece e respeita a história da ARUC, e se comprometeu a buscar uma solução legal para regularizar a situação da ARUC, desautorize publicamente o seu líder na Câmara Legislativa, por essa proposta absurda, ofensiva e indecorosa.

O deputado não conhece nada da história da ARUC e sua proposta foi sim um ofensa à ARUC, à comunidade do Cruzeiro e à toda a comunidade cultural da cidade. Como ele é líder do governo Rollemberg, precisa ser desautorizado publicamente pelo governador, pela bobagem que fez.

Simples assim.

 

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