FBI investiga Wal-Mart por compra de alvarás em Brasília

Brasília é manchete nas páginas policiais do Wall Street Journal

Brasília é manchete nas páginas policiais do Wall Street Journal

A notícia saiu no Wall Street Journal, o jornal dos homens de negócio dos Estados Unidos, e foi transmitida para o mundo inteiro pela agência de notícias France Press.

A rede de varejista Wal-Mart é investigada, nos Estados Unidos, pelo Departamento de Justiça (equivalente ao ministério da Justiça no Brasil), pela receita federal estadunidense  e pelo Federal Bureau of Investigation – FBI.

A suspeita é do grupo ter pago 500 mil dólares em propinas para se instalar na Capital Federal. O período foco da investigação, 2009 a 2012, corresponde ao final do governo de José Roberto Arruda, ao governo de transição de Rogério Rosso e ao governo de Agnelo Queiroz. As informações não detalham em que governo isso teria efetivamente ocorrido.

Segundo o jornal, no início de novembro, procuradores estiveram no Brasil dando início às investigações que ainda estão em um estágio inicial. Os investigadores federais se concentram em um montante de US$ 500 mil, cerca de R$ 1,85 milhões, pagos a uma pessoa supostamente contratada pela Wal-Mart para servir de intermediária junto a autoridades governamentais. A pessoa em questão, uma mulher que não é identificada, teria ajudado, entre 2009 e 2012, o Walmart a obter licenças para construir e operar em dois pontos de Brasília. O texto não é claro se estas licenças eram alvarás de construção, alvarás de funcionamento, ou ambos.

Para obter as autorizações de funcionamento, o Wal-Mart teria utilizado a intermediação dessa mulher que já tivera assento no governo, mas não explicita qual. Todas as negociações teriam sido comandadas por dirigentes da empresa no Brasil, mas os pagamentos dos valores teria ocorrido com a ajuda de intermediários contratados para tal fim.

Diz o jornal dos EUA que o supermercado estava preocupado com a demora em obter os alvarás e que por isso decidiram contratar os serviços de uma mulher que tinha a reputação de “acelerar a obtenção dos alvarás”. “As licenças eram expedidas quase que por mágica mas ela cobra dez vez mais do que outros intermediários recebem.”

Representantes e altos funcionários do departamento de Justiça, da autoridade do mercado de valores (SEC), da Receita e do FBI (polícia federal) já colheram depoimentos também prestados às autoridades brasileiras. A investigação se encontra em uma etapa preliminar e faz parte de uma operação mais ampla, sobre as atividades do Wal-Mart na América Latina, principalmente no México. As práticas de pagamento de propinas também teriam sido verificadas na Índia.

Wal-Mart no Brasil

Walmart tem 8.500 lojas em quinze países. A companhia foi fundada por Sam Walton em 1962, mas usa 55 nomes diferentes. Sob seu próprio nome está nos Estados Unidos, em Porto Rico e no Brasil. Opera no México como Walmex, no Reino Unido como Asda, no Japão como Seiyu e como Best Price na Índia.

Funcionando no Brasil desde 1995, o Wal-Mart saiu as compras em 2005. Naquele ano, depois de comprar por US$ 300 milhões, a cadeia de lojas nordestina Bompreço, comprou do grupo postuguês Sonae 140 lojas localizadas na região Sul com as bandeiras Nacional, BIG, Mercadorama e Maxxi.

Em 2010, dentro de um processo de expansão que incluia 100 novas lojas, anunciou sua instalação em Brasília. Em 2012, 49 mercados estavam em operação em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e no Distrito Federal. Atualmente são três endereços na Capital Federal: Águas Claras, Setor de Indústrias, próximo à Ceasa, e na Asa Norte. As lojas instaladas no Brasil respondem por 3% da receita mundial do grupo. Em 2012, com um faturamento da ordem de R$ 23,5 bilhões, a rede foi considerada a terceira maior empresa varejista do país, perdendo apenas para o grupo Pão de Açucar e o Carrefour.

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Asa Norte, Águas Claras, Ética na Política, Brasília - DF, Comércio varejista, Corrupção, Distrito Federal, Estados Unidos da América, GDF, SIA - Setor de Indústria e Abastecimento. Bookmark o link permanente.

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