2) Alcântara dez 2013 (51)Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Santana.

Não sacraliza escatologias em nome do Senhor.

Como pode alguém julgar-se guerreiro e santo?

Há quem erga armas para o alto e grite:

“Deus seja louvado!” Pois, mudo e sem atrito

O louva-deus encontra a ascese

Para a sua forma canônica de culto.

 

Ninguém vê a soberana face e fica por aqui.

Como podes fazer dupla à Sua voz?

Sincera oração é só murchar,

Após o tempo que houve de florir.

Será admitido no coro dos arcanjos

Alguém que de outrem foi algoz?

 

Se queres ser pródigo ao Criador

Não encerra qualquer forma de vida.

Não acumula em Seu nome qualquer soma.

Todo infiel se converterá em epifania,

Caindo em si como as pragas do caminho.

Ninguém as semeia, mas podem existir.

 

Nenhum solo fértil é regado a sangue.

Nenhuma honra se lava com a ira,

Ela é mais inócua que um lodo seco.

E se acaso te devotas à paz,

Dispensa palavras, basta um aceno.

Quanta solenidade há num singelo casulo!

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