aliança rompidaPor Chico Sant’Anna

Muito antes do divórcio existir no marco jurídico brasileiro, Brasília já era considerada capital da separação de casais. Na década de 70, o título oficial era Capital dos Desquitados. Decorrido quase meio século, a cidade mantem intocável seu título, desta vez como Capital dos Divorciados. Pelos dados mais recentes do IBGE, referentes a 2014, a cidade apresenta uma incidência de 3,74 descasados para cada grupo de mil habitantes de 20 anos ou mais de idade. No Brasil, a taxa geral de divórcios foi de 2,41‰ .

Além de possuir uma elevada taxa de separação judicial, a Capital Federal apresenta um baixo perfil de duração dos matrimônios. Enquanto no Brasil um casamento dura, em média, 15 anos, no Distrito Federal, observou-se que o tempo médio transcorrido entre as datas do casamento e da sentença/escritura do divórcio foi de 13 anos, abaixo, portanto, da média nacional. A pesquisa se debruçou no período de 1984-2014.

Perfil do divorciado candango

Os casais se casam ainda muito jovens no Distrito Federal. Quando comparados os anos de 1984, 1994, 2004, observa-se que o grupo de idade mais frequente para ambos os sexos era de 20 a 24 anos nos dois primeiros anos, já em 2004 verificou-se a prevalência do grupo de idade entre 25 e 29 anos, reflexo das mudanças sociais ocorridas. A idade média dos cônjuges solteiros quando do casamento em 2014 era de 30 anos, para os homens solteiros, e 27 anos, para as mulheres.

Da mesma forma, a separação se dá com os cônjuges ainda bastante jovens. Em 2014, o grupo etário masculino que mais frequentemente se divorciou compreendia a faixa etária de 35 e 39 anos, enquanto o feminino estava entre 30 e 34 anos de idade.

Recasamentos

O brasiliense parece preferir uma vida sem compromisso conjugal, ou pelo menos sem compromisso de papel passado. Se de um lado a taxa de separação é elevada, de outro, é baixo o percentual de recasamentos. O DF está abaixo da média nacional.

Em todo o Brasil, a proporção de recasamentos (quando pelo menos um dos cônjuges tinha o estado civil divorciado ou viúvo) era de 23,6%, contra apenas 12,9% do total das uniões formalizadas no DF.

Filhos mais tarde

Em 2014, nasceram 57.442 brasiliensezinhos. A análise dos nascimentos dos novos candanguinhos revela que as mães estão tendo filhos mais tarde. De 1984 a 2014, no DF, o grupo de nascimentos de mães de 30 a 34 anos, representou 29,25%, um crescimento de 13,66p.p. . Entretanto, as parturientes adolescentes também ampliaram sua participação. O grupo de 15 a 19 anos, que em 1984 representava 13,11% dos partos, em 2014, passou para 15,43%.

E com tanta separação, o DF aparece como a quarta unidade da federação com maior percentual de guarda compartilhadas (10,4%), dos filhos nascidos no relacionamento.

Casamento homoafetivo

Em 2014, foram registrados na Capital Federal 18.508 casamentos, desses 0,7% foram entre pessoas do mesmo sexo, percentual pouco acima do registrado em 2013 (0,45%). Em 2014. Embora os casamentos entre cônjuges masculino e feminino solteiros permaneçam como o conjunto majoritário em relação aos outros estados civis, essa tendência vem diminuindo gradualmente com o passar dos anos. Entre 2004 e 2014, verificou-se uma redução de 13,3 pontos percentuais nesse indicador no Distrito Federal (de 89,3% para 76%).

Nos casamentos entre cônjuges de mesmo sexo (masculino), o DF apresentou o 2º maior percentual do Centro-Oeste (37%), inferior ao estado do Goiás. Para os casais femininos, o DF apresentou o maior percentual da Região Centro-Oeste (40,9%). Foram registrados 129 uniões homoafetivas em 2014, 46 uniões a mais em relação a 2013. No período 2013-2014, existe uma predominância entre a uniões entre pessoas do sexo feminino, 55,4% e 40,9% respectivamente. O estado civil solteiro/a predominou entre os cônjuges de mesmo sexo, independente do sexo.

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