Menino e a pipa Planaltina fechadoPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

 

O vento não bate à porta,

Quem sabe é o dente-de-leão.

Quando for a hora,

Flutuar é cantiga de nuvens.

Sem a semente pronta,

Nem o rascante temporal

Aprontará dia de núpcias.

 

O riso é a nossa forma germinal

De ser e estar num jardim.

Girassóis são contagiosos,

É um, e lá vêm mil a abrir:

Enigma de gargalhar no silêncio.

Êxtase não carece propaganda.

Sequer precisa de andar.

 

Rir é só alocar um i entre erres.

Língua, sim. Não necessariamente cirílica.

Há seres que não riem.

Talvez, por expulsão do Paraíso.

Aos inocentes é apropriado,

Mesmo quando a dormir.

Felicidade não rima veneno.

 

Mel, sim, encomenda zumbido,

Alarido de polinizar.

Pode ser que uma e outra

De radar extraviado

Venham aos seus lábios,

Que são muitos, legião,

Se beijar for consentido.

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