Por Luiz Martins da Silva

 

I

Muitos deles, ali, nas cornucópias:

Palácios e cúpulas sem decoro.

Encontram, ali, o lócus.

Excelências no trato, privado,

Da coisa mais pública, a Pátria.

II

Prestadores, não; predadores, sim.

Na arte de furtar, domínio exímio,

Para si e para os seus.

Negar, renegar e delongar

Até os confins da consciência.

III

Cidadãos que somos,

Pacientes, veias abertas,

Até quanto e quando

Estaremos anestesiados,

Quais serviçais curvos de uma festa?

IV

Haverá para a nudez dia e hora.

Sem máscaras, tristes figuras.

Já não poderão sair às ruas.

Um pãozinho sequer na padaria

E já um cenho e lhes franzir o lado de fora.

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