Arfresco TurquiaPor Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

I

Os quatro reis resultaram em três.

O último ficou pelo caminho,

Perdeu a cauda da estrela,

Para ser caritas por inteiro.

II

Sentado num trono o tirano.

Então, silêncio no plantão.

Trombetas, sim, mas na surdina

Do moer dos muares na rumina.

III

Aqui, acolá, sininho de Belém.

Alguém haveria de saber,

Algum parente de Maria,

Algum aderente de José.

IV

O presépio, para sempre, fé.

Natureza viva de Deus.

Uma vez homem, ceia da Paz.

Algum dia, todos convivas.

V

Um mendigo talvez não vele,

A fome envergonha quem a tem.

Pede tão somente o tempero da pedra.

Diz a lenda, aos abastados convida.

VI

Lapinha, Missa do Galo, Reis Magos…

Shoppings ostentam pagodes imensos.

Mas, de início, era modesto pinheirinho.

Uma vez enfeitado, Árvore da Vida!

VII

Oh! Mais uma vez, amigos,

Festejemos o que ainda é magia.

Em poucos dias, voltarão folia.

Paramentados de fitas, reisados.

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