Distritais reprovam primeiro ano de Rollemberg

celina rollembergPor Chico Sant’Anna

Nota atribuída pelos distritais ao desempenho de Rollemberg ficou abaixo de 5.

 

Se depender da avaliação dos deputados distritais, o governo Rodrigo Rollemberg não passou de ano. A nota atribuída pelo Legislativo à competência do Executivo foi de apenas 4,8, numa escala de zero a dez. Ou seja, ficou abaixo da nota média de qualquer colegial.
Esse é um dos resultados da pesquisa realizada, entre os dias oito e quatorze de dezembro, com dezenove dos 24 deputados distritais, (cinco se negaram a responder) pela empresa Tracker Consultoria & Assessoria.

pesquisa gdf 2015Curiosamente, a avaliação do segundo semestre se mostrou mais negativa ao titular do Buriti, do que o primeiro semestre, quando quem articulava as relações entre os dois poderes era o secretário de Governo, jornalista Hélio Doyle.

Hélio saiu, por pressão da presidente da CLDF, Celina Leão, e a nota de Rollemberg caiu de 5,25 para 4,8. Talvez o problema entre os dois poderes não estivesse exatamente na sala de Hélio Doyle e sim em outro gabinete. Prova disso, é que entre os dois primeiros semestres do novo governo, a avaliação “ótimo/bom” sobre a relação dos distritais com o Executivo caiu de 37,5% para 26,3%.

Segundo a Tracker Consultoria & Assessoria, dois foram os erros crassos de Rollemberg no primeiro semestre:

1º) Não reduzir de forma significativa o número de secretarias do GDF, administrações regionais e os gastos com pessoal enquanto a sua popularidade estava em alta; e

2º) Não garantir uma base sólida no Legislativo por não dar aos aliados mais espaço para debater e participar das decisões do governo.

A saída de Hélio Doyle da equipe de Rollemberg não fez com que a avaliação dos distritais melhorasse. Ela caiu ainda mais.

A saída de Hélio Doyle da equipe de Rollemberg não fez com que a avaliação dos distritais melhorasse. Ela caiu ainda mais.

Pessoalmente, acrescentaria mais um: o não envio à CLDF, na primeira semana de governo, de projetos impactantes que dependeriam de sua popularidade eleitoral para a aprovação. Rodrigo perdeu o timing de impulsionar as mudanças que propalava na campanha e que levaram o eleitorado a apoiá-lo.

Na campanha eleitoral, Rodrigo Rollemberg anunciou aos quatro cantos ter se preparado durante quatro anos para governar Brasília e que teria prontas as soluções para os principais problemas da cidade. Depois de apurados os votos, teve mais três meses de governo de transição para preparar o ponta-pé inicial de seu governo. Passados doze meses, ele se revelou inexperiente, desconhecedor de Brasília e do GDF e, muitas vezes inábil, como foi a relação com os servidores públicos.

“Sem uma coligação com a base social forte no DF, Rollemberg não conseguiu o apoio esperado das ruas. Assistiu o descontentamento com as incertezas do atual governo que antecipava o fato de não poder honrar com os compromissos do anterior, como reajustes salariais de algumas categorias’ – diz a pesquisa.

Joe Vale Rodrigo

Em decorrência da falta de apoio de Rollemberg, analistas apontam para breve um rompimento de Joe Valle, hoje no PDT, com sua migração para a Rede.

Fora da Rede

Rollemberg tem uma espécie de “cobertor curto” para os aliados – dizem os analistas da empresa realizadora da pesquisa. “Quando cobre o lado destampado, deixa o outro descoberto. É imprescindível que mantenha as alianças que conquistou e amplie-as.”

Mas a grande oportunidade de ampliar esta base e de ter um coberto maior – a criação do partido Rede, da ex-presidenciável Marina Silva -, parece não ter sido bem aproveitada pelos arquitetos políticos de Rodrigo Rollemberg.

Com potencial para ser a maior bancada da CLDF – desbancando PDT, PT e PMDB – o partido é formado por três deputados distritais: Luzia de Paula (ex-PEN), Chico Leite e Claudio Abrantes, ambos oriundos do PT, e ainda namora Joe Valle, do PDT -, a Rede é fundamental para a estratégia de governabilidade de Rollemberg. Mas Rollemberg não conseguiu consolidar – segundo os analistas – essa relação, mesmo mantendo nomes ligados à Rede no governo como o secretário do Meio Ambiente, André Lima, e a presidente do Ibram, Jane Maria Vilas Bôas. Rodrigo Rollemberg, na prática cotidiana do Legislativo, não consegue ter o partido como aliado incondicional, votando e participando junto com o governo nos projetos de interesse do GDF.

Segundo análise da Tracker Consultoria, com base no histórico de votações ao longo do ano, Rollemberg tem conseguido da base governista e de simpatizantes, em média, nove votos na Casa. Isso, sem contar os três da Rede. Quatro votos independentes, com mais dificuldade para serem conquistados, e oito que tendem ir contra o governo, salvo em questões extrapartidárias. Ou seja, sem a Rede, ele não tem nem 50% dos votos garantidos. Com sete votos independentes, o grau de governabilidade é pequeno e leva à necessidade de permanentes negociações.

Não à toa, as administrações regionais que segundo promessa de campanha de Rollemberg seriam em menor número e não seriam alvo de loteamento partidário, hoje estão nas mãos de apadrinhados de distritais de todas as cores e correntes. A redução das administrações ficou apenas no papel, como é o caso de Park Way, Núcleo Bandeirante e Candangolândia. Embora haja um único titular, as três estruturas permanecem inalteradas.

Futuro

Com o passar dos dias e a antecipação das definições partidárias para a sucessão no GDF, essa insegurança socialista no Palácio do Buriti deve aumentar. Os analistas apontam em um possível racha do atual secretário do Trabalho, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, o pedetista Joe Vale. Joe almejava ser presidente da CLDF em 2016, mas viu seu projeto se abalroado pela atual presidente, Celina Leão, também do PDT. Com o apoio de Rollemberg, ela conseguiu mudar a Lei Orgânica do DF, permitindo a reeleição do presidente da Casa. Tudo indica que ela comandará os distritais por mais um ano.

Joe não passou recibo em público de sua irritação, mas há quem diga que no momento certo ele se muda para a Rede, colocando o partido mais distante do GDF. Isso acontecendo, afetaria não só a governabilidade de Rollemberg, como também a própria reeleição do governador.

Os distritais estão divididos, praticamente, meio a meio, sobre a melhora das relações Executivo e Legislativo no ano que começa. 57,8% acreditam que vai melhorar e 42,2% acham que fica como está ou piora.

Os distritais estão divididos, praticamente, meio a meio, sobre a melhora das relações Executivo e Legislativo no ano que começa. 57,8% acreditam que vai melhorar e 42,2% acham que fica como está ou piora.

2016

O cenário para 2016 não deve ser fácil para o GDF. Os distritais estão divididos, praticamente, meio a meio, sobre a melhora das relações Executivo e Legislativo no ano que começa. 57,8% acreditam que vai melhorar e 42,2% acham que fica como está ou piora. Além dos desafios econômicos financeiros – Brasília fechará o ano com queda em seu Produto Interno Bruto e terá um repasse menor do Fundo Constitucional da ordem de 3%, algo em torno de R$ 360 milhões – Rodrigo terá muitos desafios no campo político e administrativo.

Terá que ser criativo e mais expedito em busca de soluções para minimizar os efeitos da crise no DF. Dentre os abacaxis a descascar em 2016, destacam-se os seguintes:

Econômicos:

  • Garantir o pagamento de servidores públicos, inclusive o aumento salarial de 2015, postergado para 2016;
  • Quitar os débitos do governo Agnelo (tendência de empréstimo para não comprometer as contas públicas no curto prazo);
  • Sair do imobilismo operacional e começar a tocar as obras de infraestrutura que o DF demanda;
  • Combater o desemprego que ultrapassa a casa dos 200 mil brasilienses;

Manifestação servidores saúdeGestão

  • Por em ordem a estrutura de Saúde e Educação públicas, que se mostram debilitadas;
  • Recuperar os espaços culturais, tais como Teatro Nacional, Museu de Arte Contemporânea de Brasília e Espaço Renato Russo, sucateados por Agnelo;
  • Recuperar a sucateada Rádio Cultura;
  • Trazer soluções concretas para a mobilidade urbana de Brasília, dando efetivo início as obras de ampliação do metrô e implantação do VLT;
  • Combater a indústria da grilagem territorial e garantir a oferta de novas moradia ;
  • Tudo isso sem ficar em inconformidade com a LRF.

Políticos

  • Recuperar a sua popularidade nas ruas por meio dos indicadores sociais;
  • Ampliar o diálogo com a base aliada e a participação da mesma no governo;
  • Trabalhar contra um racha no PDT;
  • Estreitar laços com os parlamentares da Rede a fim de ampliar a sua governabilidade;
  • Não comprar briga com o Palácio do Planalto, torcer para que o PSB também não o faça para não haver prejuízos para o Distrito Federal;
  • Manter a proximidade do PSD do vice Renato Santana – cujas relaççoes andaram estremecidas – de forma a garantir a interlocução do deputado federal Rogério Rosso com o governo federal para garantir recursos.

Governador, Rollemberg,

Feliz Ano Novo.

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Administrações Regionais, Brasília - DF, Câmara Distrital, Distrito Federal, Economia & Finanças, Eleições em Brasília, GDF, Gestão de recursos públicos, Governo Federal, Impostos & Taxas, Política & Partidos, Servidores Públicos. Bookmark o link permanente.

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