2) Alcântara dez 2013 (21-b)Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

 

Outros quinze houve.

Igualmente, não constam

Que tenham tido fim.

Mas, algum dia haveremos

De celebrá-los no Planeta.

Haverá, sim, uma Terra,

Já não será prometida,

Será, sim, realização coletiva.

Um Planeta de água límpida

E almas puras, incapazes de turvá-las.

Poluição, não, tão somente poluções

De sêmens e forças vitais.

Seremos, no mais sensual dos sentidos

Animais, sensorialmente bem dotados,

Até mesmo da medida do bom senso.

Então, já não valerá a superstição,

De que um século depois ainda

As mesmas maldições da seca,

Da fome e dos exageros:

Uns, de precisão. Outros, corrupção.

Haverá, sim, estendidas mãos

De solidariedade. Nada de beija-mão

A quem de autoridade sobre outrem.

Não haverá andores para ditadores,

Pois, fim do ditado, lição dos pássaros.

Nesse dia, nem precisaremos voar.

Poderemos viajar, sem precisar dizer adeus.

Terra única e una, sagrado chão.

Todos os filhos de Deus assim o serão.

Tudo isso ocorrerá muito antes de outro quinze.

Mas, para este que se vai, agradeçamos o prodígio da vida.

E, de estarmos aqui: amizade, leitura e lida.

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