Monges TibetanosPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Cefas Siqueira

 

Sobre uma lenda zen

 

Ai de mim! Oh! Venerado Mestre!

Sou indigno da vossa presença.

Por toda vida que ainda tenha

Prometo, me restabeleço.

 

Oh! Meu filho, nada disso…

Nada disso me pertence.

Eu é que peço desculpas

Do quanto envergonham as sobras.

 

Por favor, carregue, tudo é seu.

Como posso ser um anjo,

Como chegarei aos céus,

Pesando mais que os meus ombros?

 

Homem de Deus, louvada figura!

Eu é que não quero mais nada,

Por favor, imploro, me denuncie.

O que mereço é clausura.

 

Façamos, então, um trato:

Eu, de cá, você de lá;

Os dois, sem nenhum apego,

A não ser aos próprios olhos.

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