No Peru, urubus são equipados com câmeras para identificar lixões clandestinos

Urubu gps2Por Chico Sant’Anna

No Brasil, experiência poderia ser utilizada na localização de focos do mosquito transmissor da Dengue, da Zica e da Chikungunya

 

Você já ouviu aquela expressão urubuservando?

 Ela já foi usada até por Chico Science e Jorge Du Peixe, na música Maracatu de Tiro Certeiro.

Urubuservando, a situação:
rua carrafana, na putrefação;
a lama chega até o meio da canela;
o mangue tá afundando e não nos dá mais trela! –
diz ele logo no início da canção.

Pois é, agora urubuservando passa a ser uma atividade científica.

 Nem drones, nem satélite, vigilância de lixões clandestinos no Peru agora é feita com a ajuda de urubus. Durante gerações, essas aves foram vistas com certa repugnância e até com medo, já que são causas de acidentes aéreos.

Se os urubus já ajudavam a humanidade dando fim às carniças e destruindo poderosas bactérias que se alojam nos restos de comida jogados nos lixões, eles agora irão atuar em alto estilo. E pode se dizer que bem alto.

Urubu gpsNo estilo 007, eles estão sendo utilizados para a espionagem eletrônica na tarefa de detectar depósitos clandestinos de lixo.

Os urubus-de-cabeça-preta que participam da campanha voam pela capital peruana, Lima, equipados com GPS e levam câmeras GoPro para registrar os lixões em que se alimentam.

Veja aqui o vídeo Gallinazo Avisa, com o trabalho dos urubus de Lima

A ideia nasceu a partir de um projeto de pesquisa da Universidad Nacional Mayor de San Marcos, de Lima, sobre a vida dos urubus, que está sendo feito desde julho. Os pesquisadores precisavam de equipamentos eletrônicos para monitorar os urubus, explica Letty Salinas, diretora do Departamento de Aves da universidade. O Ministério do Ambiente, por sua vez, precisava de uma forma de alertar os moradores de Lima sobre o problema de lixo da cidade.

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Dengue e Zica

Essa experiência poderia ser muito bem multiplicada no Brasil, na localização de lixões clandestinos que além de poluírem o meio ambiente se transformam em focos do mosquito aedes aegypti, vetor da dengue, da zica e da chikungunya.

No Piauí e no interior de São Paulo, por exemplo, drones estão sendo utilizados nas ações de combates ao foco do mosquito. São vistoriados com o drone apenas os imóveis desabitados em que os agentes tenham dificuldade de contato visual para saber se no local há criadouros do mosquito transmissor da doença.

A vantagem do urubu é que ele já se dirige aos lixões, atraídos pela carniça. O drone sobrevoa o local e fotografa onde for encontrado um potencial criadouro do mosquito da dengue, para que assim sejam tomadas as medidas necessárias para eliminar os focos”.

Dez urubus

O departamento de aves da San Marcos reuniu dez urubus para o trabalho. Alguns eram animais resgatados e outros foram capturados em suas colônias, atraídos por carniça. Passaram por exames médicos rigorosos, receberam os equipamentos e foram liberados. Desde então, voam por toda a cidade de Lima. Suas asas largas permitem que voem por até quatro horas seguidas para encontrar comida, como restos de alimentos e animais mortos.

Em terra, uma equipe permanente da San Marcos recebe e analisa em tempo real as informações que as aves enviam. Com isso, reúnem informação sobre sua vida social, deslocamentos, hábitos de alimentação, como fazem ninhos e descanso das aves.

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em América Latina, Brasil, Calamidades, Ciência & Tecnologia, Fauna & Flora, Meio ambiente, Peru, Piauí, Poluição, Resíduos sólidos, Saúde Pública, São Paulo. Bookmark o link permanente.

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