Deu Zica! Carnaval sem beijação

Por Chico Sant’Anna

 

Esse Carnaval não vai ser igual àquele que passou.

A prática de sair beijando todos e todas é fortemente desaconselhada pela Fundação Oswaldo Cruz. É que a instituição científica detectou a presença do vírus zika ativo (com potencial de provocar a infecção) em amostras de saliva. Ou seja, um simples beijo pode contaminar os beijoqueiros. A presença do vírus também foi detectada na urina.

Agora, aquela marchinha que dizia vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval, deve ser desconsiderada. Além da picadura do mosquito aedes aegypti os foliões e folias tem que estar de olho nos beijoqueiros de plantão.

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Quem não é familiarizado com o Carnaval de rua de várias localidades brasileiras, em especial a Bahia, talvez não saiba que a performance de muitos pierrôs e colombinas é contabilizada pelos números de beijos concedidos ou roubados. A regra tradicional é sair na pipoca, tomar um capeta, e trocar um colar por um beijo.

PierrotSe a alegria no carnaval desse ano depender do volume de beijos conquistado, muita gente poderá ficar trisrte no salão.

Ai vai prevalecer a marchinha de Noel Rosa:

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

Com a descoberta da Fiocruz – e pelo fato de não existir preservativo bucal -, o recomendável é fechar a boca diante dos beijoqueiros.

“A primeira medida é sempre a da cautela.” Alerta o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, que diz ser importante agora investigar a relevância destas potenciais vias para a transmissão viral.

Além do beijo, já há indícios de que a zika possa ser transmitida por relação sexual. É o que suspeita o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos após o exame de uma pessoa infectada. “Nós não acreditamos que o contágio tenha ocorrido por meio de picadas de mosquito, mas sim por contato sexual” – alerta o centro. Sendo assim, mais um motivo para usar camisinha nas relações sexuais.

Medidas de prevenção já conhecidas para outras doenças precisam de um olhar mais cauteloso a partir de agora, especialmente no caso do contato com as gestantes.

“Estamos empenhados em gerar evidências sobre o vírus zika e vamos compartilhar estas evidências conforme avançarmos no conhecimento sobre o tema”, pontua Gadelha, acrescentando que outras perguntas científicas permanecem em aberto, como o período de sobrevivência viral na saliva e urina, por exemplo.

O que os especialistas ainda não sabem responder é se, a partir do momento em que entra no organismo de uma pessoa por meio do beijo, o zika sobreviverá ao suco gástrico, líquido muito ácido presente no estômago. Outra linha de investigação é se o vírus também pode passar por meio da tosse ou espirro. Os pesquisadores não constataram a transmissão da Dengue e do Chikungunya via saliva e urina.

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Bahia, Brasil, Calamidades, Carnaval, Ciência & Tecnologia, Cultura, Festas & Eventos, Fiocruz, Ministério da Saúde, Saúde Pública, Sociedade. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Deu Zica! Carnaval sem beijação

  1. Olá, Chico, velho e bom amigo: uma dica – veja que no texto que você postou, bem no começo, há virus na saliva e na urina; no final, não há virus na saliva e na urina…

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