Dália vernelha closePoema de Luiz Martins da Silva. Foto e flor de Gil Marcelino

 

 

I

O forte encanto do frágil,

Se exala ao suor do relento,

Viver sem nome, sem norma,

Tão só ao sabor do vento.

II

Uma vez, apelido e prosa,

Culto e manejos humanos,

Sina de mulher amada,

Silvestres comparações.

III

Aroma, cinamomo, ciúme,

De preferência, jasmim.

Pouco lhes resta em natura,

Tantos modos, os jardins.

IV

O que vale do vale é a flor,

Anônimo velo, ao Deus dará.

Quem quer, de fato, lume,

Não leva vela ao vale, brisa.

V

Noite aberta, o intento

De singrar escuridão, crisálida,

A tudo se presta de pronto,

Pretensa intenção do amado.

VI

Que falem as rosas do quanto

Se quer dizer e não sai,

O coração tem, lá, caprichos,

Quer-se loquaz, mas entala.

VIII

Soube de uma flor deserta,

Vive longínqua e sem nome.

Nada quer de democrática

Como as dálias do cultivo.

IX

Dálias não se dão, são extraídas,

Detalhe da cortesia.

Mas, seu lugar é ali,

No ser a si sem mistério.

X

Existiriam ainda ciganos,

Caravanas errantes, beduínos?

O que dirá o galante,

Na tenda sem a flor no talhe?

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